Depois de perder R$ 30 mil em jogos na Slots Loterias, de Maringá, o vendedor Carlos Prado, de Paranavaí, decidiu ‘‘alertar’’ que as máquinas ‘‘legalizadas pelo governo’’ viciam e não permitem que o jogador vença. ‘‘Apesar da minha situação tenho que falar para que outras pessoas não caiam na mesma situação’’, disse. Prado conta que não tinha o hábito de jogar, até um dia que saiu de um shopping em Maringá, em março passado, e viu uma loja da Slots Loterias. ‘‘Aquilo lá é um cassino autorizado pelo governo’’, comparou.
Durante quase 60 dias, Prado conta que viajava quase todos os dias de Paranavaí a Maringá para jogar. ‘‘Saía de Paranavaí nove horas da noite e jogava até as cinco da manh㒒, lembra. Quando não tinha mais dinheiro começou a vender os bens. ‘‘Hoje tenho que andar de carro emprestado para trabalhar’’, lamenta. Ele disse que as máquinas, ‘‘que são de videopôquer disfarçadas’’, provocam o vício. ‘‘Minha situação se repete todos os dias lá dentro. Já vi gente perder R$ 4 mil em uma noite’’, contou.
O vendedor disse que tem como provar o que perdeu, através dos saques diários nas contas em um banco, ou de um cheque de R$ 1 mil que ele sustou depois da última vez que foi a Slots. ‘‘Agora os seguranças da casa vivem atrás de mim para cobrar.’’ Prado acha que o governo não deveria permitir este tipo de jogo, que para ele é pior que cassino. ‘‘A gente joga contra máquina, que nunca perde.’’
Uma das sócias da Slots em Maringá, Rosária Marques de Lima, diz que a empresa é ‘‘livre, autorizada pelos órgãos competentes e lícita’’. Ela disse que Prado jogava na loja da empresa em Paranavaí, que fechou há alguns meses. ‘‘Depois ele começou a jogar aqui em Maringᒒ, disse. Rosária alega que Prado faz uma ‘‘denúncia vazia’’ porque não quer pagar um cheque de R$ 1 mil que sustou. ‘‘Não existe nada de irregular na Slots, tanto que nunca tivemos problemas com outros clientes’’, garantiu a proprietária.

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