Vendedor de passes agora comercializa cartões
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de julho de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Os vendedores informais de passes que ficam nas calçadas próximas ao Terminal Urbano Central de Transporte Coletivo de Londrina entraram na era digital. Eles já compram e revendem cartões do sistema de bilhetagem eletrônica implementado em fevereiro pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e pelas empresas concessionárias do serviço. A ironia extrema é que tal tecnologia foi adotada com o objetivo de eliminar várias distorções do transporte coletivo da cidade entre elas, o comércio informal de passagens.
A reportagem conversou com vários vendedores de passes das imediações do Terminal Central e todos pediram para não ser identificados. Um deles alegou que o comércio informal de passes de papel diminuiu desde a implantação da bilhetagem eletrônica, visto que as passagens que circulam pela cidade teriam rareado. ''Hoje elas aparecem menos. Antes dos cartões eletrônicos, eu tirava R$ 10, R$ 15 livres por dia. Hoje não consigo arranjar dinheiro nem para pagar um café. Estou quase abandonando'', disse ele, afirmando que não aderiu ao esquema de compra e venda de cartões.
Com a diminuição da oferta e da procura por passes de papel, os vendedores passaram a buscar formas de obter lucro com a bilhetagem eletrônica. Um segundo comerciante informal explicou que os vendedores adquirem cartões pagando R$ 1,10 por cada unidade (crédito) contida nos documentos e depois os repassam ao preço de R$ 1,50 por unidade. Alguns preferem manter os cartões.
''O que eles fazem é procurar pessoas que chegam com passes. Eles apresentam uma proposta: passam o cartão no leitor da catraca para o 'cliente', gastando uma unidade, e pedem um passe de papel de volta'', relatou o vendedor. Em seguida, o passe é revendido também a R$ 1,50. A vantagem reside na margem de lucro: enquanto os comerciantes informais adquirem cada passagem de papel por R$ 1,35, na compra de cartões eletrônicos eles pagam R$ 0,25 a menos por unidade.
Um terceiro vendedor alegou que se trata de um comércio arriscado, visto que o sistema de bilhetagem eletrônica permite que as unidades sejam canceladas pelo proprietário original do cartão a qualquer momento, já que existem as possibilidades de perda e furto do documento. Um dos comerciantes informais ficou incomodado com a reportagem. ''O esquema dos cartões é o único jeito para a gente continuar aqui. Se amanhã (hoje) sair matéria no jornal sobre isso, já sabemos quem escreveu'', afirmou.


