Vendedor de consórcio passa maus bocados
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Adriana De Cunto 
Dorico da SilvaPrensaJaime (sentado) e Leandro: vendedor é acusado de caloteO vendedor de consórcios Jaime Moreira do Carmo passou por maus momentos ontem pela manhã, quando um de seus clientes foi até o escritório exigir de volta o dinheiro da primeira parcela do consórcio de uma motocicleta. Até a Polícia Militar foi chamada para acalmar a discussão, já que o cliente, Leandro Quintiliano Roq, de 19 anos, segurou o vendedor pelos braços e o impediu de deixar o escritório, localizado no térreo do edifício comercial Columbia, à rua Souza Naves, 282, centro de Londrina.
Leandro Roq conta que perdeu o emprego em um açougue porque precisou faltar ao trabalho para correr atrás do vendedor de consórcio. Ele diz que comprou o consórcio no começo do mês e que a moto, uma CG 89, deveria ter sido entregue no último dia 9. Ele prometeu que a moto seria entregue na segunda-feira, após o pagamento de 10% do valor, diz Roq.
O rapaz diz que chegou ontem às 6h30 à portaria do edifício disposto a reaver os R$ 92 gastos com a primeira parcela. Ele conta que não chegou a agredir fisicamente Jaime do Carmo. Apenas impediu que ele deixasse a sala. Leandro Roq reclama que até mesmo o contrato do consórcio foi feito em uma fotocópia de um contrato de uma firma de Santa Catarina. Ele nem tem contratos originais.
Maria Carolina Goissis, 18 anos, filha da proprietária da Lanchonete Suspirus, também localizada no edifício Columbia, diz que a mãe perdeu cerca de R$ 300, dinheiro gasto nas primeiras parcelas do consórcio de um freezer. Ontem apareceu um rapaz que tinha sofrido um calote de R$ 700, conta a moça. Ela diz que a mãe resolveu aderir ao consórcio porque tinha recebido um cheque sem fundo de R$ 300 de um funcionário de Jaime. O negócio foi fechado há uma ano e o caso foi parar até na Justiça. Segundo Maria Carolina, um juiz já determinou que o pagamento fosse feito, mas até agora a mãe ainda não recebeu o dinheiro.
Jaime do Carmo diz que devolveria ontem mesmo o dinheiro à Leandro Roq. O vendedor garante que é representante de duas empresas de consórcio e que não há nada irregular nos seus negócios. Ele diz também que a entrega da motocicleta não aconteceu porque o rapaz deveria ter dado um lance para receber o veículo. Mas quando eu paguei a primeira parcela ele disse que não precisava dar lance para pegar a moto, responde Leandro.
A advogada e diretora executiva da Procuradoria de Defesa do Consumidor (Procon), Sheila Maria Mendes Azolini de Angelo, lembra que a entidade oferece um serviço de informações sobre a idoneidade das empresas que vendem consórcios. Basta ligar para (043)300-1010 e um funcionário do Procon vai informar se a empresa sofreu reclamações e quantas pessoas foram lesadas. Segundo Sheila de Angelo, antes de adquirir um consórcio, as pessoas devem ligar para o Procon e evitar problemas futuros.


