Vendedor ambulante espera
o pior Natal de toda a vida
O vendedor ambulante Edilson Santos da Silva, 21 anos, vai passar o ‘‘pior’’ Natal de sua vida, o primeiro dentro de uma prisão. Encarcerado na Penitenciária Central do Estado, ele está há três meses sem contato com a família e tem a amarga sensação que não verá nenhum parente durantes as festas de Natal e fim de ano. ‘‘A gente sempre fica esperando que eles apareçam a qualquer momento’’, conta. ‘‘Mas é difícil. Eles não têm condições de vir me ver. A passagem de lá até aqui é muito cara.’’ Toda a família de Silva é de Foz do Iguaçu.
No ano passado o vendedor ambulante foi condenado há 12 anos de reclusão por um homicídio ocorrido em 1997. No começo de 1998, porém, ele fugiu da cadeia de Foz do Iguaçu e morou 11 meses no Paraguai, com a mulher e o filho. Quando visitava a mãe em Foz, há 10 meses, Silva foi preso e transferido para Curitiba.
Sem o apoio da família, o vendedor tenta ser forte e transformar sua pena numa lição. ‘‘Eu mudei minha cabeça. Não sou mais o que eu era’’, acredita. Além de trabalhar na faxina, Silva também faz capoeira e estuda. As atividades ‘‘fazem o tempo passar mais rápido’’ e impedem que ele pense na família e fique triste.
Silva está a espera de uma transferência para uma prisão próxima da sua cidade e tenta impedir que a convivência na PCE o transforme num ser humano pior. ‘‘A pessoa sai daqui revoltada, se não tiver cabeça boa’’, diz. O vendedor revela que procura não pensar no tempo que ainda ficará atrás das grades. ‘‘Eu não posso parar para pensar nisso aí. Se fosse pensar assim ia sair brigando. Tenho que pensar na família, que vou vencer.’’

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