Pelo menos 380 casas foram destelhadas, 40 famílias ficaram desabrigadas e 70 desalojadas em Londrina após o forte temporal que assolou o município na madrugada de ontem. A área mais afetada foi a região Norte, onde 60% das residências do bairro Nossa Senhora Aparecida ficaram sem cobertura, conforme informações do tenente-coronel Jorge Luiz Pereira, comandante do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros e coordenador regional da Defesa Civil estadual. Na avaliação de Pereira, essa foi a pior incidência nos últimos dez anos. O prefeito Barbosa Neto decretou estado de emergência na tarde de ontem, como forma de conseguir mais rapidamente recursos para atender a população atingida.
Não houve registro de vítimas, mas em toda a cidade mais de 200 árvores caídas danificaram a rede elétrica, atingiram carros, imóveis e interromperam o trânsito. O telefone de emergência do Corpo de Bombeiros recebeu 800 avisos de ocorrências relacionados à intempérie. ''Inicialmente atuamos nas situações mais emergenciais, como distribuição de lonas para desabrigados e corte de árvores caídas que estavam impedindo a passagem ou oferecendo riscos'', explicou o comandante.
A estrada de São Luiz e trecho da PR-445, próximo ao distrito de Guaravera (Zona Sul), foram interrompidos de madrugada por causa da queda de árvores. No Jardim Sabará III, na Zona Oeste, o asfalto de uma das pistas da Avenida Soiti Tarumã cedeu e ''engoliu'' um caminhão. A Secretaria Municipal de Educação informou que três escolas municipais tiveram seus telhados levados pelo vento e permanecerão interditadas por tempo indeterminado: os colégios Atanázio Leonel, no Conjunto São Jorge; Cláudia Rizzi, no Jardim Parati; e José Gasparini, no Conjunto Farid Libos, todos na região Norte. Outras duas escolas foram parcialmente danificadas. Segundo a secretária municipal de Educação, Vera Hilst, quase mil alunos terão de ser remanejados para outras escolas da região.
Todo o efetivo do Corpo de Bombeiros - 84 homens - foi convocado. Além disso, trabalharam no atendimento emergencial 120 homens do Tiro de Guerra e 60 funcionários municipais e agentes da Defesa Civil do município.
Nos bairros Nossa Senhora Aparecida e São Jorge (Zona Norte), que concentraram o maior número de casas danificadas, barracos precariamente construídos foram totalmente destruídos. As famílias que não conseguiram ficar com parentes ou amigos foram alojadas em escolas e outros prédios públicos, e cadastradas para ser posteriormente abrigadas. ''Cogitamos inclusive alugar um hotel para abrigar as famílias, mas elas preferiram ficar próximo a parentes'', informou Barbosa Neto. Segundo o prefeito, vales-alimentação e cestas básicas já estão sendo distribuídos pela Secretaria de Assistência Social.
A dona de casa Claudinéia do Nascimento dormia com o marido e os três filhos quando o vento levou parte do telhado e da parede. ''A gente ficou atrás do guarda-roupa. As crianças entraram em pânico, foi assustador'', contou ela, que ontem de manhã cobriu todos os objetos da casa com lonas para evitar mais estragos no caso de outro temporal. ''Não sei se a casa vai resistir. A gente não pode perder o pouco que tem'', disse a moça, que já enfrentou situações parecidas no bairro''.
Embaixo de chuva, o auxiliar de instalação José Rodrigues consertava o telhado de casa com material de construção doado pela empresa onde trabalha. ''(A chuva) nunca tinha sido tão forte. Perdi tudo que tinha.''
Franciele Brás Antunes, que morava em um barraco com o marido e cinco filhas, teve a casa totalmente destruída, perdeu todos os móveis e, ontem, aguardava na escola municipal do conjunto São Jorge a possibilidade de ser encaminhada para um abrigo. ''Colocamos um colchão na cabeça e ficamos vendo a casa cair. Perdemos tudo'', contou ela.
Emergência - A última vez que o município viu-se obrigado a decretar estado de emergência foi em 1997, quando uma forte seca dizimou as lavouras da região. Trata-se de uma forma de usar recursos públicos sem a necessidade de processos licitatórios para adquirir materiais e equipamentos de reposição. De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Londrina, João Verçosa, o prazo estimado de duração do estado de emergência é de 90 dias. (Colaboraram Silvana Leão e Luciano Augusto)

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