Vendaval e chuvas avariam 400 casas
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quarta-feira, 25 de março de 1998
Mônica Kaseker 
Kraw PenasDestróiCasa de madeira de Maria da Cruz foi arrastada pelo vento e tombou no quintal da vizinha: Senti a casa tremer e corri para o banheirinho lá no fundo do quintal, mas quando voou uma telha fui me esconder na casa da vizinhaDepois de alguns minutos de terror e de uma noite ao relento, ontem foi dia de limpeza e reconstrução dos estragos causados por um vendaval em mais de 400 casas na região de Curitiba. Ventos fortes, acompanhados de chuva e raios derrubaram árvores, postes, destelharam e destruíram casas em Piraquara, Araucária e São José dos Pinhais, na Região Metropolitana, e na região do Pinheirinho, na capital. Duas pessoas ficaram feridas e várias famílias estão abrigadas por amigos e familiares até que as casas sejam consertadas. O prefeito de Piraquara, Gil Lorusso (PTB), decretou situação de emergência
no município.
O vendaval começou por volta das 21 horas e durou poucos minutos. Os maiores estragos aconteceram em Piraquara, onde 300 casas foram destelhadas e 20, totalmente destruídas nas vilas Macedo e Santa Mônica. Uma criança e um adulto, este com fratura de clavícula, ficaram feridos e tiveram de ser levados para o hospital. Izabel Padilha Duarte, de 32 anos, conta que saiu correndo com o filho Fábio, de apenas seis anos, depois que uma das telhas da casa atingiu o queixo do menino. Foi um corte profundo e ele não está conseguindo se alimentar, conta Izabel.
O susto também foi grande para Maria de Fátima da Cruz, de 42 anos, que mora sozinha com o filho de 7 anos. Senti a casa tremer e corri para o banheirinho lá no fundo do quintal, mas quando voou uma telha fui me esconder na casa da vizinha, que é de material, lembra. A casa de madeira foi arrastada pelo vento e tombou no quintal da vizinha. Um outro barraco que havia no fundo também foi destruído.
FereIzabel Padilha Duarte, que mora em Piraquara, teve que levar para o hospital o filho Fábio, de seis anos. Menino sofeu um corte no queixo provocado por uma telha: Foi um corte profundo e ele não está conseguindo se alimentar
Na Vila Rosa, pelo menos dez chácaras tiveram bosques dizimados. Numa chácara do Hotel Marcassa, cinco casas foram danificadas e um pinheiro caiu sobre a casa do caseiro Jonas Saroba, onde ele estava com a mulher e dois filhos pequenos. Segundo ele, 30% das árvores da propriedade foram arrancadas pelo vento. Na chácara ao lado, Hercílio Furtado conta que 40% das árvores foram atingidas.
Em Araucária, a prefeitura cedeu telhas e outros materiais de construção para a recuperação de 39 casas, mas segundo a secretária de Ação Social do município, Carmem Wachowicz, apenas 18 residências foram comprovadamente destelhadas pelo vendaval e duas ficaram com a estrutura abalada. Na Vila Shangai, onde houve os maiores estragos, 49 famílias que vivem em áreas irregulares terão de ser relocadas. A secretária e mulher do prefeito acredita que algumas famílias aproveitaram a oportunidade para pedir ajuda da prefeitura, sem terem sido vítimas do vendaval.
Na regional do Pinheirinho, em Curitiba, 100 casas foram destelhadas e 20 delas estão comprometidas. O administrador regional, Fernando Roberto Janz, diz que o atendimento às famílias começou durante a noite, cobrindo-se as casas com lonas. Caminhões da prefeitura foram enviados para o local para transportar móveis para a casa de amigos e familiares. A secretaria de Obras enviou uma equipe de engenheiros para fazer um laudo técnico sobre as condições das casas.
O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) não registrou ventos fortes na estação meteorológica do Centro Politécnico. Segundo o meteorologista Vilson Souza Ferreira, o vento causou estragos em pontos muito localizados e não havia qualquer indicação do fenômeno até as 19 horas de anteontem, quando houve o último monitoramento climático por radares. Provavelmente os ventos foram causados pela passagem muito rápida de uma frente fria, explica.


