O vendaval e a chuva forte que caiu sobre Londrina, no início da tarde de ontem, causaram a queda de árvores e de placas publicitárias, alagamento de ruas, estragos em casas, estabelecimentos comerciais e principalmente em carros. As áreas mais atingidas foram o centro da cidade e os bairros da zona sul, mais próximos da área central. Os bairros compreendidos entre a Vila Ipiranga e o Jardim Igapó e entre o os jardins Bela Vista e Guanabara, ficaram sem energia durante toda a tarde.
O Corpo de Bombeiros recebeu muitos chamados, mas não registrou nenhuma vítima. Os soldados tiveram trabalho para eliminar o alagamento em um supermercado na Avenida Duque de Caxias e também para remover uma árvore que caiu em cima de um carro na Rua Goiás.
César AugustoForça do ventoA placa instalada próxima à Avenida Harry Prochet foi levada pelo ventoO motorista Erlon Mendes, 25 anos, estava estacionando seu Escort entre as avenidas São Paulo e Rio de Janeiro (área central), quando o carro foi atingido pela árvore. Os galhos caíram também sobre outro Escort que trafegava pela via, provocando a interdição da Goiás naquele trecho.
A Autarquia do Meio Ambiente (AMA) recebeu aproximadamente 60 reclamações por queda de galhos e de árvores inteiras. O presidente da autarquia, Mauro Maggi, informou que vistoriou os bairros mais atingidos e verificou que muitos galhos e árvores não resistiram aos ventos.
Maggi ressaltou que o problema de queda de galhos e árvores somente será resolvido com a conclusão do Plano Diretor de Arborização, que prevê a substituição e readequação de aproximadamente 300 mil árvores em toda a cidade. O presidente da AMA disse, ainda, que o Município se responsabiliza apenas pelos danos provocados por árvores doentes plantadas em via pública. ‘‘Em área particular, a responsabilidade é do proprietário.’’
César AugustoAlagamentoNas proximidades da AFML, o condutor do carro ficou sem saber o que fazerNa Vila da Fraternidade (zona leste, próximo à área central), também houve alagamento de casas. ‘‘Estou cansada deste inferno. Só neste verão é a terceira vez. Agora, a enxurrada não invadiu minha casa porque meu irmão colocou o caminhão dele na frente e escorou algumas tábuas para desviar a água’’, queixou-se a dona de casa Ivone Duarte, 39 anos, moradora do número 226 da Rua Santa Eloá.
Na rua de cima, a Santa Margarida, a casa número 374 não foi invadida pela enxurrada porque o morador Aparecido Vítor da Silva, 52, levantou uma mureta no quintal. Com água na altura dos joelhos, Silva disse que as galerias de águas pluviais existentes são muito estreitas e não escoam toda a enxurrada. De acordo com o meteorologista César Duquia, do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), o vendaval foi provocado pela grande umidade e alta temperatura. ‘‘Estas condições estão sendo registradas em todo o Estado’’, explica o meteorologista, informando que as fortes chuvas e ventos têm ocorrido em todas as regiões. ‘‘O fenômeno é o mesmo que ocorreu domingo em Curitiba. E pode voltar a ocorrer a qualquer momento em todo o Paraná.’’
O trânsito sofreu engarrafamento em várias vias da área central. Mas, segundo a Polícia de Trânsito, o número de acidentes ficou dentro da média normal, sem registro de nenhum caso grave.
A estação meteorológica do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), localizada na zona sul, registrou ventos com velocidade de até 58 Km/h e volume de chuva de 23.2 milímetros em apenas uma hora.

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