Vendaval causa sustos e prejuízos
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de setembro de 2002
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
Londrina - Ventos de até 70 km/h provocaram a queda de 19 árvores em Londrina e o destelhamento total de uma casa em Cambé (13 km a oeste) entre 21h e 22h, da noite de sexta-feira. Durante toda a noite e madrugada de sábado, os bombeiros do Sistema de Atendimento a Traumas e Emergências (Siate) prestaram atendimento às vítimas do estrago.
As rajadas de vento chegaram a 30 nós no anemômetro (instrumento para medir a velocidade ou intensidade do vento) da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) no Aeroporto de Londrina. Segundo o meteorologista Rogério Varela, esta velocidade equivale a 60 km/h. ''Ocorrências deste tipo são raras em Londrina. Acontecem menos de 10 vezes por ano'', afirmou ele.
Os prejuízos foram sentidos em várias regiões de Londrina e municípios vizinhos. Em Cambé, o operador de máquinas desempregado, Eliseu Ferreira da Silva, 35 anos, teve o telhado de sua casa totalmente destruído pelo vento. ''Foi horrível'', comentou ele, ao relembrar o momento em que o teto voou inteiro, na Rua Parecis, nº 100, Jardim Tupy. Silva estava no local com quatro dos cinco filhos pequenos. ''Um redemoinho arrancou tudo de uma vez'', afirmou. A família foi abrigada por um cunhado.
Em Londrina, os maiores problemas aconteceram devido à queda de 19 árvores. Na Rua dos Artesões, em frente ao nº 66, Conjunto Chefe Newton (zona norte), o vento derrubou uma árvore, que, por sua vez, caiu sobre o fio de energia elétrica, derrubando um poste. Os fios arrebentados, sem que a energia tivesse sido desligada, ficaram sobre a calçada durante toda a noite. ''Ficamos muito assustados'', disse a dona-de-casa Solange Paraizo Guimarães, grávida, ao lado de três filhos pequenos.
A funcionária pública Cássia de Oliveira, 44, foi quem chamou os bombeiros. ''É o único serviço que funciona'', criticou ela. Segundo Cássia, ninguém atendeu na prefeitura, na Secretaria Municipal de Ambiente (Sema), Comurb e Obras. ''Deveria haver, pelo menos, um plantão'', analisou.
Em Florestópolis (78 km de Londrina), a chuva e o vento acabaram com a tradicional Festa da Cana, que estava sendo realizada no Centro de Rodeios. Por volta das 21h30, ainda no início da festa, os ventos derrubaram barracas de bambu e lona, ferindo algumas pessoas. Segundo o secretário municipal da Saúde, Adalto Aparecido Cardoso, foram atendidas sete pessoas no Hospital Municipal Santa Branca, mas apenas com escoriações. ''Não foi feita nenhuma sutura e as pessoas foram liberadas em seguida'', disse.
Em Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), policiais rodoviários, fazendeiros e funcionários da Prefeitura trabalharam durante a noite das 23h às 3h para retirar cerca de 30 árvores que caíram na rodovia PR-170, na altura do km 31. Foram usadas motossseras e tratores para a retirada das árvores. Segundo a Polícia Rodoviária de Jaguapitã, quase não houve movimentação de carros naquele trecho. Em Ponta Grossa, houve destelhamento de sete casas e quedas de árvores, sem vítimas. Em Maringá, também caíram árvores e placas de publicidade.
Depois da frente fria de sexta-feira, uma nova massa de ar seco e frio estava prevista para chegar ontem ao Paraná, provocando queda nas temperaturas em todas as regiões. Há previsão de geadas, com exceção do litoral e extremo Norte. (Colaborou Carina Pacolla)


