Vendaval causa morte de comerciante
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terça-feira, 19 de novembro de 2002
Ana Paula Nascimento e Chiara Papali<br> Reportagem Local 
A chuva e o forte vento de ontem à tarde provocaram a queda de um muro sobre o comerciante Alfio Ítalo Frederico Ricci, 64 anos, que morreu na hora. O acidente aconteceu em Cambé (13 km a oeste de Londrina), por volta das 17 horas. Em Londrina e região, o vendaval também causou muitos estragos, como destelhamentos, quedas de árvores e interrupção de energia. Apenas em Londrina cerca de 15 mil residências ficaram sem luz.
O comerciante que morreu em Cambé era proprietário da empresa de jateamento abrasivo Jatão, onde aconteceu o acidente, na PR-445, no Jardim Novo Bandeirantes. De acordo com vizinhos da empresa, ventava bastante e começava a chuva quando o muro caiu. ''Ele estava atendendo um cliente e quando começou a chover resolveu entrar. O cliente foi para a parte coberta, mas ele (a vítima) não. Se tivesse entrado junto com o cliente isso não teria acontecido'', disse o comerciante Luiz Arije.
Ricci foi atingido por um muro com cerca de cinco metros de altura e morreu na hora. O Siate foi chamado, mas só confirmou a morte. Segundo Arije, o muro era mais baixo, e há cerca de três ou quatro meses Ricci resolveu aumentá-lo por causa de assaltos na região.
Até por volta das 20h45, o Corpo de Bombeiros de Londrina já tinha atendido 30 ocorrências de quedas de árvores e alguns destelhamentos de residências. Em Ibiporã, foram contados sete destelhamentos e cinco quedas de árvores, duas delas sobre carros. O Corpo de Bombeiros tinha distribuído 200 metros de lona para as famílias prejudicadas.
Na casa da imobiliarista Cassandra Cille Fioratte, na Rua Barretos, Jardim Veraliz (zona oeste de Londrina), o susto foi grande. Ao retornar do trabalho ela se deparou com uma árvore em cima do muro da vizinha. Com quase quatro metros de altura e copa de aproximadamente 3,5 metros de circunferência, a queda do alfeneiro provocou rachaduras no muro e amassou o portão eletrônico da casa da vizinha. ''Acho que o meu prejuízo vai ser grande'', lamentou Cassandra, enquanto aguardava providências do Corpo de Bombeiros. Segundo ela, o carro da vizinha teve que ser guardado na sua garagem e o acesso à residência só foi possível pelo portão lateral.
Ontem, no seu último dia como secretário municipal do Ambiente (Sema), João Mendonça informou que o alfeneiro não é a espécie mais indicada para o plantio em calçadas, embora seja bastante resistente a quedas. Ele admitiu que é possível haver o ressarcimento pela queda do muro, caso seja comprovada a condenação da árvore. O requerimento pode ser retirado da Sema, sem nenhum custo ao solicitante, e o ressarcimento pode sair de 15 a 60 dias. Segundo Mendonça, é importante acrescentar no processo fotos e reportagens sobre o acidente para a sua comprovação.
O superintendente regional da Copel, Elson Marcos Spigolon, disse que o desligamento de energia em Londrina foi motivado por problemas em cinco alimentadores de energia de alta tensão, ainda sem causa definida, provocando pane elétrica. Para atender as ocorrências, foram disponibilizadas 27 equipes de manutenção e emergência. A previsão era de que a situação só se regularizasse no início da madrugada de hoje.


