Vendaval causa destruição em Assaí
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sábado, 23 de outubro de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Em menos de cinco minutos de vento forte, dezenas de casas destelhadas, árvores arrancadas, um barracão de grãos totalmente destruído. A população de Assaí (36 km a leste de Londrina) passou a manhã de ontem tentando contabilizar os prejuízos causados por um vendaval sem precendentes que atingiu a cidade no início da noite de anteontem. A tempestade arrancou postes e deixou a cidade inteira sem energia por cerca de 4 horas. Na zona rural, a energia ainda não tinha sido reestabelecida até o início da tarde de ontem.
Os maiores estragos foram registrados na parte mais alta da cidade, na região norte, conhecida como bairro do Copasa. Dezenas de casas foram destelhadas pela força do vento. Moro aqui há 40 anos e nunca vi uma coisa dessas, afirma o aposentado José Vicente Dionísio, 70 anos.
Toda a garagem e parte da sua casa foram destelhadas com a força do vento, e cacos de telha caíram sobre o carro da família. Segundo ele, o vendaval começou por volta das 18h50. Nem deu tempo de ter medo porque em uns três minutos tudo foi destruído, contou o aposentado, que se disse aliviado por ninguém ter se ferido.
Ontem pela manhã, equipes da prefeitura estavam trabalhando na desobstrução das ruas e na poda de árvores caídas. Segundo o vice-prefeito Michel Bontempo, uma escola estadual e um ginásio de esportes também foram atingidos pela tormenta. Foi uma tragédia, tem árvores em todas as ruas, ainda nem conseguimos contabilizar os prejuízos, afirmou.
Na unidade da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar), um barracão de quase 1,7 mil metros quadrados veio abaixo. Outro barracão, de 1,2 mil metros, foi destelhado e três elevadores de grãos, cada um com capacidade de transporte de 200 toneladas, foram derrubados. No momento da tempestade, funcionários correram para se abrigar debaixo de lajes e não houve feridos.
Segundo o gerente da unidade, Osvaldo Zotelli, os dois barracões estavam cheios de grãos. Esperamos que só tenham molhado a primeira camada das sacas, afirmou. Quarenta pessoas estavam trabalhando hoje para cobrir o restante dos grãos. Segundo Zotelli, até o início da tarde de ontem ainda não havia estimativa do prejuízo. Também foram registrados destelhamentos na unidade da Cooperativa Agropecuária de Rolândia (Corol), que teve um barracão parcialmente destelhado.
A emissora de rádio local, a Pepita de Ouro, passará os próximos dias fora do ar. A torre foi arrancada pela força do vento. Nunca vi isso, eucaliptos de 15 metros sendo cortados ao meio, disse o proprietário da emissora, Mauro Caldareli. Ele calcula que uma nova torre vai custar de R$ 35 mil a R$ 40 mil.
Até o início da tarde, a Copel ainda mantinha equipes na zona rural para tentar reestabelecer as ligações de energia interrompidas com a queda de oito postes. Segundo a empresa, 16 mil ligações foram interrompidas durante o temporal. Ontem pela manhã alguns pontos na área urbana também estavam sem o serviço.
O Serviço de Metereologia do Paraná (Simepar) afirmou que a tormenta foi causada por uma grande área de instabilidade. Como não há aparelhos de medição na região, a velocidade dos ventos não foi computada. O serviço alerta, entretanto, que a chegada de uma nova frente fria a região norte deve trazer mais chuva.


