Londrina - Duas pequenas vendas se mantêm firmes no Patrimônio Regina. A comerciante Alenir Sambati Goes está no local há 45 anos e assumiu a administração da loja do sogro. "Aqui a gente tem um pouquinho de tudo aqui; quando falta um macarrão, uma maionese, o pessoal vem buscar, mas as vendas estão fracas. Tem mercado grande aqui por perto e aí o pessoal, às vezes, vai lá de bicicleta", lamentou.
Alenir e Regina mantém o contato ao longo dos anos. Na memória, o trabalho nas lavouras de café, as festas entre as famílias e a tranquilidade na vida no campo. "Tinha muita festa de igreja. Hoje a gente não tem nem um salão paroquial para reunir o pessoal e fazer um almoço", reivindicou Alenir. De acordo com a comerciante, a falta de uma creche e de uma academia ao ar livre também são alvos de reclamações dos clientes da "Casa Goes".
A mãe de Regina, Hipólita Azambuja Camargo, gostava da vida urbanizada da capital. Aos poucos, o pai de Regina, Arnaldo Alves de Camargo, elaborou uma planta para o loteamento que previa a construção de uma igreja, de um cemitério, de uma escola e de outros órgãos para facilitar a vida no campo. Ele e o avô de Regina, Affonso Alves de Camargo, eram ativos na vida política. O pai de Regina foi deputado estadual e o avô foi eleito por duas vezes governador do Paraná.
O patrimônio se desenvolveu aos poucos. Evaristo Goes foi um dos primeiros comerciantes a chegar na região. "Ele veio do interior de São Paulo e abriu a venda em 1942 para tentar construir uma vida nova", contou o neto Ronaldo Teixeira Goes. Com a renda do comércio, o avô adquiriu dois sítios e repassou o local ao pai de Ronaldo e a família decidiu permanecer no local.
Em frente ao ponto de ônibus, Maria de Lourdes da Silva administra o bar adquirido pelo pai. Maria vive no patrimônio há 42 anos e morou na antiga Fazenda Seara durante dez anos.
Já na adolescência, Maria começou a trabalhar em uma granja da região e depois também ajudou na colheita do café. "Hoje em dia tem máquinas para tudo. A vida naquela época era mais puxada, mas era mais gostosa. As mulheres se juntavam e escolhiam o café para a venda. Tinha assunto para o dia inteiro", recordou.
Ela e muitos trabalhadores rurais enfrentam dificuldades para conseguir aposentadoria, já que não há uma comprovação oficial das primeiras atividades exercidas na terra. No entanto, Maria não se deixa abater. Ela se despediu com um sorriso no rosto. "Eu sou feliz, graças a Deus." (V.C.)

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