''Quando eu preciso comprar antibióticos ou anti-inflamatórios, percebo que eles não se preocupam em pedir para ver a receita, o que eu acho um perigo, porque o que é bom para mim pode ter um efeito colateral grave para outra pessoa e ela acaba comprando sem indicação médica.''. É para evitar que casos como o relatado pela aposentada Susete Nascimento, 77 anos, continuem se repetindo e colocando a saúde dos brasileiros em risco, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende exigir que as farmácias façam valer, na prática, a incrição ''vendido sob precrição médica'' impressa nas tarjas vermelhas das embalagens de medicamentos.
Apesar dos produtos já trazerem em suas embalagens a informação, atualmente, eles são vendidos em qualquer farmácia sem receita. O alerta impresso nas tarjas sinaliza a existência de contraindicações e o risco de efeitos colaterais graves. Segundo uma lei de 1977, a venda de medicamentos tarjados sem a prescrição sujeita o estabelecimento a advertências, multas, interdição e cancelamento de licença. Entretanto, como a receita não fica retida nesse caso, é raro que a prescrição seja cobrada.
Atualmente, a exigência de retenção de receita existe para drogas controladas (tarja preta) e, desde 2010, para antibióticos. A Anvisa também trabalha na revisão e atualização da lista das drogas isentas de prescrição e na revisão da portaria que regula a venda dos remédios controlados.
Com a experiência de anos trabalhando na administração de uma farmácia, o aposentado Alceu Celestino Júnior, 60 anos, relata que sabe da importância de sempre levar a receita médica para comprar os medicamentos e mesmo quando não solicitado pelo farmacêutico, ele faz questão de mostrá-la, quando a tarja indica a necessidade. ''Tanto os medicamentos com faixa preta quanto os com tarja vermelha, só compro mesmo com prescrição médica. Como já trabalhei em farmácia, conheço o que significa cada tarja e compreendo a importância desse controle'', conta o aposentado.
Para o estudante de Medicina José Maria Balbo, 32 anos, o controle das farmácias aumentou nos últimos anos e são raríssimos os casos de pessoas que conseguem comprar medicamentos sem levar a prescrição médica. No entanto, ele reconhece a importância da intensificação das ações de fiscalizatórias para evitar a venda irresponsável.
''Eu, assim como outros profissionais da área da saúde, sabemos da importância da distinção de cada tarja, mas nem todas as pessoas sabem e acabam se arriscando, por isso eu acho que a Anvisa deve continuar fiscalizando'', destaca o estudante. ''Com o uso indiscriminado de determindo medicamento, ao invés de solucionar o problema, a pessoa irá agravá-lo, podendo criar resistência ou mesmo camuflar um sintoma. Eu não compro e não aconselho ninguém a comprar sem prescrição.''
A mesmo precaução tem a atendente de call center Miriam Kanai, 44. Como não sabe distinguir todas as cores das tarjas impressas nas embalagens dos medicamentos, ela revela que sempre opta por perguntar na hora da compra.''Acho que o brasileiro é muito descuidado nesse sentido. Se automedica muito facilmente com o que não conhece e nem se toca do perigo que aquilo pode significar a curto ou longo prazo'', opina. (Com Agência Graffo)

Imagem ilustrativa da imagem Venda sob prescrição médica
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