Venda em supermercado gera polêmica
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sexta-feira, 10 de outubro de 1997
Dary Júnior 
Curitiba
Kraw PenasFarmáciaCamargo: Alguns analgésicos contêm dipirona, que causa queda de pressãoAs drogas e medicamentos que não dependam de receita médica terão venda livre nos supermercados, armazéns, empórios, lojas de conveniência e drugstores. Este é o texto integral do artigo 2º da proposta de alteração da Lei nº 6.360, enviada à Câmara dos Deputados pelo Ministério da Saúde. O assunto instalou uma polêmica na Comissão de Defesa do Consumidor, do Meio Ambiente e das Minorias, devido à reação contrária das redes de farmácias.
O presidente da comissão, deputado Ricardo Izar (PPB-SP), reconhece: É uma questão polêmica porque trata de vários interesses. A Associação Paranaense de Supermercados (Apras) defende a proposta do governo. Nós vamos prestar mais um serviço ao consumidor com a venda dos remédios anódinos (que não precisam de receita médica para a compra), afirma o secretário-executivo da entidade, Moacir Moura. Isso dispensa farmacêutico, acrescenta.
Já o recém-eleito presidente da Associação Brasileira das Redes de Farmácias (Abrafarma), Aparecido Camargo, considera a proposta perigosa: Alguns analgésicos, por exemplo, contêm dipirona, uma substância que causa queda de pressão. Moura rebate: Só vamos vender medicamentos que não provoquem mal à saúde. O conflito de interesses fez com que Izar realizasse, na última quarta-feira, em Brasília, uma audiência pública para a discussão do projeto.
A audiência foi convocada porque precisamos questionar se o consumidor está preparado para a automedicação, justifica o parlamentar, que deve escolher o relator do projeto na próxima semana. Segundo a secretária nacional de Vigilância Sanitária, Marta Martinez, defensora da proposta, a população está consciente disso. As próprias farmácias já colocam prateleiras à disposição dos clientes para que eles peguem os remédios e se dirijam direto ao caixa, sem consultar farmacêutico, diz ela.
A farmacêutica Yumie Murakami, da Vigilância Sanitária de Curitiba, discorda de Marta. O medicamento não é um produto qualquer, como biscoito, pois pode pode provocar reações diferentes conforme a pessoa que o utiliza, adverte. Além disso, já existe farmácia demais e colocar remédio à venda no supermercado não vai facilitar o acesso, completa. Há 40 mil farmácias no Brasil. No período em que a venda nos supermercados foi permitida, em 1995, os preços caíram até 30% comparados com os das drogarias, lembra Moura.
O dirigente da Apras admite que a disputa é mais comercial que ética, técnica ou médica. De acordo com Moura, os supermercados devem ter direito a vender medicamentos como algumas farmácias já vendem refrigerantes e jornais. Nós vendemos outros produtos, mas temos farmacêuticos, defende-se Camargo, também dono da rede paranaense Drogamed.
A Abrafarma elaborou uma lista que restringe a apenas oito os tipos de medicamentos livres para comercialização. São produtos fitoterápicos, antissépticos bucais, soros fisiológicos e suplementos dietéticos com vitaminas, por exemplo. Queremos mais que isso para vender, anuncia Moura, de olho em analgésicos, anti-ácidos e tudo o mais que não tiver tarja preta ou vermelha na embalagem.


