Venda em bancas
de revistas
faz crescer o
mercado editorial
Israel Reinstein

Albari Rosa
Rose Mendonça já vendeu jornais para três gerações de clientes na Banca do
BatelTodos os dias, o aposentado Leonel Rodrigues acorda às seis da manhã. Depois de tomar seu café, aproveita a hora da caminhada para comprar o jornal, na banca do Batel, em Curitiba. Com o diário embaixo do braço, ele traz também uma revista ou fascículo, buscando neles algum brinde. Rodrigues é um dos típicos consumidores que nos últimos três anos fez com que o mercado editorial crescesse em torno de 30%, segundo o Instituto de Verificador de Circulação (IVC).
De acordo com o presidente do Sindicato dos Vendedores de Revistas e Jornais, Gregório de Bem, desde 1995 as bancas tiveram um grande impulso com a estabilização da economia e a criação de novos produtos. ‘‘Com alguns altos e baixos, a venda em bancas atraiu a atenção das grandes editoras’’, avalia. Em dois anos, grupos internacionais, como o espanhol Altaya, criaram edições específicas para o mercado brasileiro. Hoje existem no mercado mais de 19 edições segmentadas, como música, livros e coleção de minerais, entre outros temas. Além dos encartes dos jornais, como o que vem sendo distribuído pela Folha do Paraná - o Folha das Copas.
Albari Rosa
Vera Ribeiro: público feminino compra mais
Gregório de Bem conta que o atrativo de fascículos e encartes, junto com os lançamentos de brindes nos jornais, conquistou compradores de diferentes faixas etárias. ‘‘Antes, eram os adultos -entre 25 a 50 -, os principais clientes. Hoje, um mercado jovem vem surgindo atrás dessas vendas’’, conta.
‘‘As gerações mais novas estão mais presentes hoje nas bancas, acompanhando os pais nas compras’’, conta Rose Mendonça, da Banca do Batel. Ela diz que desde que começou a trabalhar viu passar três gerações de fregueses tradicionais. ‘‘Isso tem ajudado o mercado a melhorar, sendo que nos últimos dois meses houve uma boa reação’’, acrescenta.
Vera Lúcia Ribeiro, da Banca da Catedral, na praça Tiradentes, conta que os fascículos se tornaram mais um componente de faturamento. ‘‘Quem entra numa banca procura produtos diferentes. Primeiro, vem os jornais e revistas, depois os produtos novos, que seriam os encartes, e os produtos avulsos’’, diz. Vera conta que quem compra mais revistas e jornais nas bancas são as mulheres.
‘‘Todo dia, dou uma passada pelas bancas e olho as revistas que sempre trazem alguma novidade’’, conta a vendedora Márcia Meira, que comprou uma revista que trazia de brinde um lápis para retocar os olhos. Ela diz que há anos sempre gasta um pouco de seu salário na compra em bancas. ‘‘Sempre compro quando surgem fascículos ligados à música, porque fica mais barato comprar CDs em bancas’’, fala.
O gerente comercial da distribuidora Fernando Chinaglia, Luis Eduardo Plácido de Sá Palmeira, constata que o preço é um dos componentes que mais estimulam a compra de fascículos. ‘‘O mercado curitibano de revistas e encartes registrou uma explosão’’, diz. Por dia, a distribuidora, que trabalha com três mil títulos, põem 35 novos títulos nos 700 pontos de venda da cidade.
Segundo Luis Eduardo, os fascículos representam o retorno a um modismo que quase desapareceu na década de 80. ‘‘Nos anos 60 e 70, era tradição a compra de títulos como uma alternativa para a aquisição de livros’’, comenta. Com a queda dos custos dos brindes, prossegue o gerente, esse mercado tornou-se novamente atraente. ‘‘Mas o que pesou mesmo foi a estabilidade econômica’’, afirma.

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