Antes de ser lucrativas para quem comercializa mercadorias, as lojas de galerias populares têm se revelado como ''negócios da China'' imobiliários. Uma sublocação no Camelódromo Central (antiga Galeria Augustus), que começou custando R$ 1 mil, hoje pode chegar a R$ 14 mil - valor pago por um comerciante entrevistado pela FOLHA. O empreendimento foi criado pela ONG ''Emprego para todos'' e anunciado como forma de dar trabalho a ambulantes.
No futuro ''Camelô 5incão'', na Zona Norte, as lojas estão sendo vendidas por cerca de R$ 30 mil, com escritura definitiva. ''Interessante é que as pessoas que compraram até agora são todos novos investidores, a maioria da própria Zona Norte'', afirma um dos sócios do empreendimento, o ex-camelô Ulisses Sabino. Na Central de Vendas, os interessados são informados de que podem entrar numa fila de espera - que já tem 35 pessoas - se quiserem apenas alugar uma unidade. Nas novas galerias da Área Central, o aluguel de uma loja sai em média por R$ 300,00.
Depoimentos ouvidos pela reportagem mostram que os novos empreendimentos estão atraindo gente que já tinha loja nos antigos camelódromos, mas queria abrir uma ''filial'', ou que não teve sucesso em outros locais. ''Comecei trabalhando na praça e fui para o Cereal (Centro de Referência em Artesanato), que acabou. Tentei o Shopping Londres (Calçadão), mas deu mais certo aqui'', comenta uma artesã, instalada na Galeria Benjamin. No mesmo local, um comerciante de bolsas conta que mantém outra loja no Shopping Popular. ''Este local tende a crescer, mas por enquanto o Camelódromo tem mais movimento'', justifica.(V.N.)

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