Venda de peças originais é maior após ação da polícia
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quarta-feira, 14 de junho de 2000
Valmir Denardin De Curitiba 
O cerco aos desmanches de carros roubados iniciado no Paraná no final de março, após a passagem da CPI nacional do Narcotráfico e do Crime Organizado pelo Estado, provocou a elevação da venda de autopeças originais e serviços legalizados de lataria. Segundo levantamento dos dois sindicatos, a venda de autopeças no Estado cresceu 14% em abril e 16% em maio. O crescimento dos serviços de lataria em veículos foi ainda maior no mesmo período: 25% e 30%, respectivamente.
Podemos afirmar com certeza que esse aumento é resultado da repressão policial às quadrilhas, porque o crescimento foi maior em cidades onde as quadrilhas foram estouradas, como Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá e Ponta Grossa, analisa Darci Piana, presidente do Sindicato dos Revendedores de Veículos, Peças e Acessórios do Paraná (Sinvepeças). O empresário Paulo Mandelli, suposto chefe da máfia dos desmanches no Paraná, teve suas lojas de autopeças fechadas e é investigado pelo Ministério Público. O empresário Joarez França Costa, também apontado como líder de quadrilha, está preso.
Com a repressão, acabou a robauto (gíria usada no setor para definir o mercado de peças roubadas), afirmou à Folha um empresário que preferiu não se identificar. A expectativa dos dois sindicatos é que o crescimento nos negócios em junho consiga superar os dois meses anteriores.
O setor de autopeças movimenta R$ 2 bilhões por ano no Paraná 10% dos R$ 20 bilhões movimentados no País. Estima-se que 20% desses negócios estejam nas mãos das quadrilhas. Enquanto um motor de veículo original custa cerca de R$ 2,5 mil, no mercado clandestino esse componente pode ser encontrado por menos de 30% desse valor R$ 700,00.
Com o cerco aos desmanches ilegais, outro setor em crescimento é o de retífica de motores. Antes da ofensiva policial, a troca do motor por um roubado poderia custar menos do que o conserto. Nos últimos dois anos, muitas oficinas de Curitiba se recusavam a instalar motores levados por clientes, com a certeza de se tratava de produto roubado.


