Venda de passe escolar vira caso de polícia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de outubro de 2001
Denise Angelo<br> De Ponta Grossa 
A Prefeitura de Ponta Grossa intensificou a fiscalização sobre o uso do passe escolar no transporte coletivo, descobrindo que existem pessoas usando documentos de forma ilícita para conseguir a tarifa com desconto. O interesse está no desconto de 50% na venda dos passes oferecidos aos estudantes. Em uma semana de fiscalização foram descobertos mais de 60 estudantes comprando os passes de forma ilegal.
Para conseguir a carteirinha de estudante, documento exigido na hora de comprar o passe, o aluno precisa apresentar uma declaração do colégio onde estuda. Em uma semana de fiscalização foram encontradas mais de 60 declarações de adolescentes que não estudam mais.
A prefeitura agora está pedindo para que todas as escolas envolvidas expliquem de que forma os estudantes conseguiram essas declarações. Com esse material em mãos, a situação de todos os estudantes flagrados em situação irregular será encaminhada para a Delegacia da Criança e do Adolescente.
Segundo o chefe da seção de Fiscalização Viária da prefeitura, Luiz Eduardo Lemes, o esquema funcionava da seguinte forma. Existem na cidade alguns cambistas que têm interesse na aquisição dos passes e por isso dão dinheiro aos estudantes para que eles adquiram os vales com o desconto de 50%. Em troca, os alunos ganham R$ 10,00. De posse dos vales mais baratos, os cambistas vendem para um grupo de pessoas interessadas em adquirir o vale transporte a custo menor.
A necessidade de fiscalizar a venda de passes estudantis surgiu depois que uma auditoria feita no transporte coletivo da cidade constatou que cerca de 40% dos usuários do transporte coletivo da cidade são estudantes, enquanto que em outras cidades do mesmo porte de Ponta Grossa essa média fica próxima de 20%. Hoje a tarifa em Ponta Grossa é de R$ 1,00.


