Mesmo com a possibilidade de homologação da venda do imóvel que abrigou o Museu David Carneiro, prevista para amanhã, ainda é incerto o destino de parte do acervo que continua na casa - situada entre as ruas Comendador Araújo, Brigadeiro Franco e Coronel Menna Barreto, num terreno de 4,2 mil metros quadrados, no centro de Curitiba. Apesar do esforço da Secretaria de Estado da Cultura e da coordenação estadual do Instituto Hitórico e Artístico Nacional (Iphan) - que afirmam estar trabalhando há anos para solucionar o problema - não há sequer um local previsto para abrigar o acervo quando o imóvel for entregue aos novos proprietários.
O acervo é composto por cerca de 4,2 mil peças que retratam a história do Brasil e, principalmente, do Paraná - como armas usadas na Revolução Federalista, o único pelourinho que existiu na região Sul do País, em Paranaguá, uma espada usada por Dom Pedro II e grades da cadeia de Curitiba incendiada no início do século, além de livros, rica pinacoteca e vasto material arqueológico.
Parte do acervo, que a família do historiador David Carneiro tentou leiloar, avaliado em R$ 1,2 milhão, foi embargada judicialmente e está sob responsabilidade do Iphan. ‘‘A legislação não impede a venda do acervo, que é particular, mas não permite a venda fracionada, como seria feita’’, diz o coordenador regional do Iphan, José La Pastina Filho. As peças poderiam ser comercializadas em lotes, como armaria, biblioteca e pinacoteca.
Segundo La Pastina Filho, a intenção é usar a Lei Rouanet, de incentivo à cultura, para captar recursos que serão aplicados na preservação do acervo. O valor da venda das peças através da lei seria usado também para pagar a família do historiador, que é proprietária.
A coordenadora de Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, Maria Luiza Marques Dias, admite que ainda não há um local para colocar o acervo, que provavelmente será distribuído em vários prédios públicos, ‘‘apesar da preocupação e esforço para assegurar que as peças sejam guardadas com segurança e em condições ideais de conservação.’’
A casa foi contruída pelo historiador na década de 40, seguindo padrões da arquitetura portuguesa. Desde 1992, é propriedade do Banco do Brasil, quando foi entregue como pagamento de uma dívida. Apenas uma proposta, de um grupo de cinco empresas (três do ramo imobiliário), foi apresentada na semana passada na licitação, cujo valor mínimo de venda é R$ 3,7 milhões.

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