Venda de antibióticos será controlada
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segunda-feira, 22 de junho de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai incluir os antibióticos entre os medicamentos de uso controlado. O objetivo é combater o uso indiscriminado e o aumento da resistência das bactérias às drogas. Hoje, este tipo de medicamento é comercializado livremente nas farmácias.
De acordo com o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, a medida já é consenso na diretoria do órgão e deverá ser implementada no segundo semestre deste ano. Para isso, bastará a inclusão dos antibióticos na portaria que estabelece as drogas sujeitas a controle especial, explicou. ''Já há um consenso. As infecções comunitárias no Brasil estão crescendo porque há uma falta de regulamentação muito grande sobre os antibióticos'', admite Mello.
Com a inclusão dos antibióticos entre as drogas sujeitas a controle especial, a sistemática será igual à já adotada para o controle de psicotrópicos, por exemplo. Além de exigir a apresentação da receita, as farmácias serão obrigadas a recolher dados da prescrição e notificar a compra eletronicamente à Vigilância Sanitária. A receita será carimbada para evitar nova utilização. As farmácias, então, ficarão obrigadas a repassar os dados ao órgão.
O farmacêutico Ricardo Ferro Palu salientou que a medida é importante para que o paciente respeite a dosagem e os dias de tratamento do antibiótico. ''Muitos não cumprem e ainda têm o hábito de se automedicarem'', disse.
Segundo o diretor-presidente da Anvisa, o principal entrave para a entrada dos antibióticos no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados é a preparação do sistema de informática para a recepção de um volume maior de dados, daí a previsão de que a mudança só ocorra no segundo semestre.
A gerente da Vigilância Sanitária em Londrina, Denise Philippsen Nunes, explica que a fiscalização na cidade é feita por meio de inspeções de surpresa nos estabelecimentos. Também é possível fazer denúncias anônimas pelo telefone 3376-1901. ''Quando uma farmácia comete uma infração sanitária, é aberto um processo administrativo que pode resultar até na cassação da licença sanitária'', destacou.
A decisão divide as opiniões dos consumidores. Para o caminhoneiro José Álvaro Arbigaus, 46 anos, a venda deve ser liberada. ''É difícil para os pobres conseguirem consulta com médico. E cada um já sabe o remédio que precisa tomar. Ninguém compra sem estar doente'', argumentou.
Para os aposentados Francisco Cirino, 80, e Gentil Vaz da Silva, 75, todos os remédios deveriam ser comercializados apenas com a apresentação da receita. ''Já tomo medicamento para o coração. Não posso comprar outro sem saber se pode misturar, se não vai fazer mal'', disse Cirino. ''Remédio é um negócio perigoso. Pode até ser um veneno'', completou Silva.(Com informações da Agência Estado)


