Vencendo o medo da internação hospitalar
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Enfrentar o sofrimento de ver os filhos pequenos hospitalizados não é fácil. Além de controlar a própria insegurança, os pais ainda têm que conviver com o medo e a ansiedade das crianças e lidar com comportamentos que muitas vezes acabam prejudicando o tratamento médico. Entretanto, existem alternativas para superar esses obstáculos e fazer com que os pacientes mirins colaborem com a própria recuperação. Esse é o tema principal do recém-lançado livro ''Andrezinho no Hospital''.
Publicado pela Editora da Universidade Estadual de Londrina (Eduel) o livro é é direcionado ao público infantojuvenil e conta a estória de um menino hospitalizado. ''O conteúdo busca conscientizar as crianças sobre a importância de elas colaborarem com o tratamento médico para garantir a recuperação de sua saúde o mais rápido possível'', destaca a autora Maria Rita Zoéga Soares, professora doutora do departamento de Psicologia Social e Análise do Comportamento da UEL.
Maria Rita explica que a publicação é resultado de oitos anos de pesquisas. ''Desenvolvemos projetos de extensão em diversos hospitais da cidade com o auxílio de alunos da graduação e da pós-graduação. Atendemos mais de 200 crianças e, através da leitura, contação de estória, jogos e brincadeiras focadas na hospitalização, conseguimos diminuir a ansiedade e o medo delas em relação ao tratamento. Com base neste trabalho, resolvi produzir o livro'', afirma.
Segundo a docente, o projeto de extensão desenvolvido com crianças hospitalizadas foi implantado no Hospital da Zona Norte em 2003 e implantado posteriormente no Hospital Universitário. ''Atualmente realizamos a pesquisa no Hospital do Câncer e na ONG Viver, que atende crianças vítimas de câncer'', informa a professora.
Técnicas
Ela diz que as estórias infantis são focadas na questão da hospitalização e as brincadeiras são feitas com réplicas de instrumentos utilizados por médicos, como termômetros, estetoscópios e seringas de brinquedo. ''O objetivo é criar uma familiaridade com os procedimentos médicos para que as crianças saibam porque eles precisam ser realizados'', salienta.
Técnicas que podem ser usadas para amenizar a dor durante certos procedimentos também são repassados aos pacientes infantis. ''Ensinamos técnicas de respiração que amenizam a tensão na hora de tomar injeção, por exemplo. Também pedimos que as crianças falem sobre suas dúvidas para que os profissionais de saúde possam esclarecê-las de forma clara e objetiva'', afirma a autora.
Maria Rita ressalta que os pais também são envolvidos neste processo. ''Orientamos os pais a não demonstrarem medo e insegurança em relação ao tratamento, pois as crianças tendem a repetir os comportamento deles. Também não é aconselhável falar com as crianças muito antecipamente sobre procedimentos que irão acontecer para não gerar ansiedade. O melhor é comunicar isso às vésperas da data em que ocorrerão'', finaliza.


