Cascavel – Quando começou a trabalhar como cobrador de ônibus, isso há mais de 15 anos, Claudionor não imaginava que essa passaria a ser uma das profissões mais perigosas dos dias atuais. No início, era capaz de cumprimentar os passageiros pelo nome ou apelido. Poderia se dizer que era uma profissão bem tranquila, já que passava o dia todo sentado e conversando com as pessoas, enquanto cobrava a passagem.
Com a ampliação do número de linhas, o cobrador passou a sentir uma diferença. Aqueles novos passageiros já não eram tão conhecidos e não faziam muita questão de lhe dizer um simples bom dia. Ao contrário, muitos lhe olhavam de uma forma desconfiada.
Claudionor, que já não estava muito satisfeito com as mudanças de linha, ficou ainda mais descontente quando ficou sabendo que a partir daquele mês passaria a trabalhar no período noturno. Isso porque já tinha ouvido falar dos assaltos a ônibus naquele horário e temia que o mesmo viesse a acontecer com ele.
O cobrador, que se considerava uma funcionário esforçado, chegou a procurar seu chefe para explicar que trabalhar à noite seria difícil, primeiro porque não se sentia à vontade e segundo porque não poderia deixar a esposa e os dois filhos pequenos sozinhos em casa até depois da meia-noite. Mas não adiantou e ele teve que se contentar com a decisão.
Na verdade, o cobrador pressentia que os dias futuros na profissão não seriam tão tranquilos como foram aqueles do início, há mais de 15 anos. E ele tinha razão. Em menos de um mês trabalhando à noite, Claudionor foi assaltado duas vezes quando o ônibus chegava no ponto final de um dos bairros considerados perigosos da cidade.
Em nenhum dos assaltos chegou a ser agredido, mas somente o susto que passou era suficiente para pensar em desistir. Todos os dias, antes de sair de casa, sua mulher pedia para ele tomar cuidado e ficava rezando para que o marido voltasse inteiro após o serviço.
Claudionor ainda permaneceu como cobrador durante um bom tempo, mas desistiu da profissão quando percebeu que as reivindicações para melhorar a segurança não foram atendidas. Às vezes, ele sente saudades daqueles bons tempos em que convivia com as mais diferentes pessoas. Mas o saudosismo vai embora, quando pensa nos momentos de tensão vividos à frente de um revólver. O drama do desemprego não persistiu muito tempo, pois logo conseguiu um trabalho, bem mais seguro e que lhe permite ficar perto da família.

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