Depois de três tentativas, dona Angelina Rodrigues Trindade finalmente conseguiu apagar a vela do seu bolo de aniversário. A teimosia da chama, contudo, não é nada comparada à dessa simpática e falante senhora que ontem completou 100 anos. Uma das pacientes mais queridas da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Tókio (Zona Leste de Londrina), a velhinha ganhou festa como de criança, com direito a bexigas coloridas e vela no bolo apenas uma porque apagar 100 é exigir demais de quem já viveu um século.
Nascida em Faxina, São Paulo, dona Angelina viveu a maior parte do tempo na roça e perdeu o marido há 27 anos. Hoje vive com dois filhos ela teve 10 , netos e um dos vários bisnetos. Segundo o filho, o vigilante Cizenando Rodrigues Trindade, 66 anos, a rotina da mãe é tranquila. ''Para se divertir ela ouve rádio'', conta.
Com poucas complicações de saúde - apesar da idade, o único problema mais sério é a hipertensão - dona Angelina já não pode mais ir à missa. Muito religiosa, ela credita sua longevidade à Deus. ''Deus me ajudou, Nossa Senhora me ajudou e até agora está ajudando e há de ajudar todo mundo que vive comigo'', diz, em uma cadência de quem viveu em uma época que as pessoas não tinham pressa para falar.
Feliz com o bolo e as flores presenteadas pelos agentes e enfermeiros da UBS, dona Angelina incentivava o povo a comer e se divertir. Recuperada de um princípio de pneumonia, a velhinha é otimista. ''As vezes eu caía mas agora minha perna tá forte e até lavo uma roupinha quando é preciso'', diz, orgulhosa.
A enfermeira Sílvia Mara teixeira Cripa confirma o auto-diagnóstico. ''Ela é bastante forte para a idade e muito lúcida, adora conversar, às vezes conta a vida inteira para o pessoal'', afirma.

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