Comunicadores que ousaram inovar e apresentar programas com qualidade estão dando vida ao rádio em Cascavel. Eles conseguem romper a mesmice das programações de muitas emissoras, geralmente marcadas por amenidades ou repetição diuturna das mesmas músicas, estilo ‘‘tchan’’ ou sertanejas. Os que se colocam como alternativa muitas vezes não conseguem a mesma audiência, mas persistem, com apoio de diretores das rádios, também convictos de que é preciso dar qualidade às programações.
Em Cascavel, quem tem hábito de ouvir rádio, mas durante os dias da semana desliga o aparelho no horário de A Voz do Brasil, tem a alternativa, aos sábados, no mesmo horário, de ouvir ‘‘A Voz do Imbecil’’. É com esta locução que começa o Telefone Pirata que espalha humor, hilaridade, boa música e conversa inteligente pelas ondas da Rádio Capital (AM). Os ouvintes dizem que ‘‘morrem de rir’’ e ficam surpresos com a ousadia dos apresentadores, liderados por João Carlos Stallmann, o Gallo, 34 anos, que ligam para ‘‘engambelar’’ quem está do outro lado da linha.
Gaúcho Na Rádio Stúdio 99 (FM), Antonio Carlos Garnacho, o Tonhão, 53 anos, português de nascimento e sotaque ‘‘mas gaúcho de alma’’, apresenta o melhor da verdadeira música gaúcha, e se empenha na valorização da cultura e tradições do Rio Grande do Sul. ‘‘Musicando o Rio Grande’’, das 6 às 8 horas, todos os dias, tem a música galponeira para bailar, e a nativista com a característica letra forte, pungente, escorrendo entre o som de violões e da ‘‘acordeona’’. ‘‘Se não for música de conteúdo, não toca no programa’’, sentencia Tonhão.
Na Rádio Colméia (AM), o ‘‘Balançando o Bangalô’’, das 13h30 às 16 horas, consegue misturar com harmonia a boa música internacional com moda de viola e informação, geralmente transmitida ou comentada de forma crítica pelo apresentador Edson Moraes, 42 anos. Com isso, o radialista consegue amarrar a difícil audiência das classes A e B. Quando, por imposição de ouvintes da chamada classe C, é obrigado a tocar música brega, Moraes não perdoa: faz comentários mordazes e irônicos.
AM ou FM? O ‘‘Balançando o Bangalô’’ atrai para a AM um público que teria mais afinidade com a FM. O programa geralmente é aberto com um bloco de músicas sertanejas, tipo Tião Carreiro e Pardinho, ou Pena Branca e Xavantinho. A seguir entra a MPB, vêm as notícias locais, nacionais e internacionais, e então mescla o bom pagode e a moda de viola aos estilos Cássia Eller ou o grego Demis Roussos. ‘‘Tipo Amado Batista não toco. Aliás, ele também não vai se importar muito com isso...’’, ironiza o apresentador.
Edson Moraes, 22 anos de profissão, é um radialista eclético. Ele também é narrador esportivo na emissora e apresentador de telejornal na TV Tarobá. Suas origens estão em serviços de alto-falantes. No início da carreira, fez propaganda de cinema em um velho Jeep. Foi candidato a vereador e, ao contrário dos que insistem em perseguir o cargo, nunca mais aceitou candidatura, embora ainda seja procurado por partidos, pela sua popularidade. ‘‘Prefiro estar do lado de cᒒ, afirma.
Imposição A necessidade de fazer rádio de qualidade vai se impondo como decorrência natural dos tempos modernos. O veículo de comunicação continua sendo um dos principais companheiros de milhões de brasileiros urbanos. Para os da zona rural, muitas vezes o rádio é o único meio de informação e entretenimento.
Há no Brasil quase 60 milhões de receptores (nos Estados Unidos, são 540 milhões), quase 20 milhões a mais que o número de televisores. Em todo o mundo, há quase 1,9 bilhão de aparelhos de rádio.

mockup