Vejo que meu trabalho é muito importante
Londrina - Moradora do Residencial Vista Bela (zona norte), Adelma Bonetti, de 40 anos, acorda todos os dias às 5h30. Ela prepara os seis filhos (o mais novo tem dois anos), os deixa na escola e toma um ônibus para chegar ao Anália Franco, na zona leste, onde atua como mãe social.
Às 8 horas, chega na casa, verifica se as crianças foram para a escola, começa uma faxina geral, coloca as roupas para lavar e já corre para o fogão. "Quando eles voltam da escola, a comida está prontinha. Na mesa, é o lugar onde todo mundo quer conversar. Cada um quer contar como foi o dia e não basta só escutar. Eles querem conversar olho no olho", conta Adelma, que descobriu a verdadeira vocação há cinco meses.
"Vi um anúncio na internet e, como estava desempregada, me inscrevi. Me acostumei em poucos dias porque, na verdade, meu trabalho é ser mãe. Algo que já sou o tempo todo. Tenho muitos afazeres aqui, mas sobra tempo para brincar, abraçar e conversar", diz, enquanto frita as batatas para o almoço.
Como em qualquer casa, Adelma tem tudo sob controle. Ela sabe o horário das 12 crianças, a personalidade de cada uma e o mais importante: tem amor para todos elas. Para os mais crescidinhos, ela atribui tarefas como arrumar a cama e, quando é desrespeitada, chama a atenção.
"Eles me respeitam e me ajudam, mas eu fico de olho. Tento perceber um comportamento diferente e saber como está indo na escola. Tem alguns que tenho que ficar mais em cima, mas isso é como em qualquer família. Vejo que meu trabalho é muito importante porque tem criança que se eu não der um copo de água, ela não bebe de jeito nenhum. Tem outra que a cada hora me pede um abraço. Então, sei que elas precisam do meu amor, afinal de contas, quem não precisa?", indaga, em tom emocionado. (M.O.)





