Mais de 500 veículos recolhidos ao pátio do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran) em Londrina foram destruídos ontem para ser transportados para Guarulhos, na Grande São Paulo. Os 120 carros e 410 motos, que estavam no pátio da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), localizado na Avenida Brasília, foram prensados para reduzir o volume e facilitar o transporte. O trabalho foi executado pela empresa RFR Reciclagem, que arrematou o material em leilão.
Além liberar espaço no local, a ação visa reduzir o impacto ambiental gerado pelo acúmulo de sucata e evitar a proliferação do mosquito da dengue. "Existe o problema de espaço, mas a preocupação maior do Detran nesse momento é com a dengue", frisou Vilson José Marciano, integrante da comissão de leilões do Detran.
Antes de virar material de reciclagem, os veículos amassados passaram antes por leilões em duas outras modalidades – carros de circulação e sucata – e não foram arrematados. "Alguns desses carros destruídos hoje são muito antigos e tinham placa amarela ainda, ou seja, não serviriam para mais nada", citou o chefe da Ciretran, Antenor Ribeiro. Entre as sucatas havia até algumas bicicletas roubadas, apreendidas há muito tempo por não terem nota fiscal.
A prensagem de cada carro leva aproximadamente dez minutos. O trabalho é feito por um equipamento avaliado em cerca de R$ 1 milhão. Um automóvel médio fica do tamanho de uma geladeira e pesa em torno de uma tonelada. Antes de serem prensados, no entanto, os veículos passam por uma preparação. "São retirados todos os fluidos, extintor, bateria e pneus, com objetivo de facilitar o transporte", explicou Marciano.
Em Guarulhos, os componentes serão separados e reaproveitados. "Passa tudo por uma máquina que colhe o ferroso, que é o material que será aproveitado", explicou Luiz Belache, gerente da empresa. Matéria-prima para novos produtos, as placas de aço são comercializadas com siderúrgicas. Os outros materiais recicláveis, como plásticos e borrachas, são descartados de acordo com a destinação ideal.
Esta modalidade de leilão começou a ser realizada no Paraná em 2014 e a meta para este ano é reciclar cerca de 3,5 mil veículos, todos com mais de dois anos parados nos 542 pátios espalhados pelo Estado, onde estão atualmente cerca de 27 mil unidades apreendidas. Segundo o Detran, a verba arrecadada é usada para cobrir os custos e débitos do automóvel. Os principais motivos das apreensões são falta de pagamento do licenciamento, equipamentos e características alteradas, defeituosos ou avariados. Além da multa, o proprietário é obrigado a pagar uma diária enquanto não retira o veículo do pátio da Ciretran.
Segundo o chefe da Ciretran, um novo leilão de reciclagem deve acontecer ainda este ano em Londrina. "A previsão existe. O procedimento tem sequência conforme o acúmulo de carros e, como o Detran é um depositário de veículos, é necessário encontrar uma solução para amenizar o impacto que isso causa", adiantou Ribeiro. Segundo ele, ainda existem cerca de 1,5 mil veículos aguardando destinação em Londrina, cujo terreno da Ciretran tem cerca de 17 mil metros quadrados.

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