Marcos BorgesRibeiro: ‘Nem dá para socorrer’O tráfego pesado de veículos na rua Charles Lindemberg, no jardim Vale do Cambezinho, zona leste de Londrina, está colocando em risco a vida dos animais do parque Arthur Thomas. Segundo os moradores da região, dois macacos e um quati morreram atropelados nos dois últimos meses. Na manhã do último sábado, outro macaco foi atropelado. O animal foi encaminhado ao Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina e morreu, momentos depois, ao receber a anestesia.
Ele foi socorrido pelo motorista e por um vizinho do parque Arthur Thomas, o mecânico José de Paula Ribeiro, 42 anos. Morando na região há um ano e meio, o mecânico diz que está preocupado com os constantes atropelamentos de animais no trecho da Charles Lindemberg que vai do acesso à Via Expressa até a rua José Valério de Souza Irmão.
Ele conta que os três animais foram atropelados e mortos naquele trecho. ‘‘Nem deu tempo de socorrer’’, lamenta. José Ribeiro explica que os macacos pulam a cerca do parque para buscar alimentos nas imediações. Eles vão diariamente à casa do mecânico em busca de frutas e também na residência do agricultor José Horácio da Costa, 60 anos, que planta mandioca no quintal.
O problema piorou, conta José Ribeiro, depois que a Prefeitura instalou quebra-molas na avenida Salgado Filho. ‘‘Para desviar dos obstáculos, os motoristas começaram a desviar pela Charles Lindemberg’’, afirma o mecânico. Ele explica que a rua é usada diariamente por caminhões da Prefeitura e veículos com entulhos que seguem para o Lixão. ‘‘Eles passam aqui correndo’’, critica.
José Ribeiro diz que o trânsito rápido preocupa também os pais de crianças que moram nas proximidades. ‘‘Os carros passam aqui a 100 quilômetros por hora. É perigoso não só para os animais, mas para todo mundo’’, alerta.
Marcos BorgesPerigoTrecho da rua Charles Lindemberg onde os animais foram atropelados: carros abusam da velocidade
José Horácio da Costa, morador na rua Charles Lindemberg há dois anos, diz que não se importa que os macacos do parque Arthur Thomas invadam o seu quintal para ‘‘atacar’’ a plantação de mandioca: ‘‘Por mim eles podem comer tudo. O que importa é conservá-los vivos’’.
O presidente da Autarquia do Meio Ambiente (AMA), Nelson Kohatsu, diz ter conhecimento dos acidentes, mas ressalta que eles são esporádicos. ‘‘É difícil a gente manter os animais no parque também porque os moradores costumam alimentá-los.’’
Kohatsu garante que o Arthur Thomas oferece comida suficiente para todos os animais. ‘‘Quando a gente percebe que eles começam a se aproximar da sede, em busca de alimentação, a gente vai buscar sobras de frutas e verduras no Mercadão.’’
O diretor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Juan Carlos Monastério, diz que fará ‘‘o mais rápido possível’’ uma análise técnica na rua Charles Lindemberg para estudar uma solução.

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