Vedoato reassume presidência da CEI
A volta do vereador Flávio Vedoato (PTB), que estava na Europa, causou muita polêmica ontem na Câmara de Londrina. Ele reassumiu o cargo de presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura o envolvimento de vereadores no caso das 212 contratações irregulares da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), feitas em janeiro do ano passado. O retorno de Vedoato causou muita polêmica. Ontem, na sessão da Câmara, houve até renúncias a cargos na CEI. Vedoato havia se afastado da presidência para compor a comitiva que viajou à Itália com o prefeito Antônio Belinati (PDT).
Na sua ausência, Tercílio Turini (PSDB), que era vice-presidente da CEI, assumiu a presidência e deu outro encaminhamento aos trabalhos. A comissão solicitou até mesmo que Vedoato fosse convidado a depor, por ter seu nome envolvido no caso. Seu gabinete teria indicado três pessoas para trabalhar na Comurb e as três foram classificadas pelo promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, como funcionários fantasmas (recebiam mas não trabalhavam), na ação civil pública que investigou as irregularidades.
Arquivo FolhaDe foraTercílio Turini renunciou ontem à vice-presidência da comissãoVedoato não aceitou as mudanças na CEI. Ontem - primeiro dia de trabalho após o retorno ao Brasil - ele solicitou uma reunião com as lideranças dos partidos, que durou quase três horas.
Embora Vedoato não tenha admitido, vereadores disseram que a reunião foi tensa. Ao final, venceu a posição defendida pelo conhecido bloco dos 11 (de sustentação ao prefeito Belinati). Insatisfeito com o resultado da reunião, Turini renunciou ao cargo de vice-presidente da CEI. O mesmo fez Salvador Francisco (PSDB), que era membro da comissão. Ainda na sessão de ontem foram indicados os vereadores Moysés Leônidas (PDT) e Valdemir Araújo (PMN) para substituí-los.
Os cargos que os novos indicados vão ocupar serão definidos na reunião marcada para quarta-feira, às 14 horas. Na reunião, Vedoato deve se colocar à disposição para depor, caso os membros achem necessário. Pelo menos foi o que ele garantiu em entrevista à imprensa. Vedoato disse que se sentiu traído pela assessoria jurídica da Câmara, que teria aproveitado sua ausência para envolver seu nome no caso das contratações irregulares.
A assessoria jurídica elaborou um parecer, a pedido da CEI, sobre o caso da Comurb. Nele, apontou vários caminhos que poderiam ser tomados pela comissão. Entre eles, rever todo o trabalho de investigação, inclusive, complementando-o ao apontar todos os envolvidos.
Achei estranha essa posição da assessoria jurídica porque ela sabia o teor de todos os depoimentos dados ao promotor e nunca propôs nada, comentou Vedoato. Ele não foi responsabilizado na ação civil pública porque seu assessor Antonio Aguilhera isentou-o de qualquer envolvimento.
Turini ressaltou que a CEI, em momento algum, acusou Vedoato de ter participado das indicações de cargos para a Comurb. Nós queríamos ouvi-lo porque três pessoas indicadas por seu gabinete e seu assessor estão citados na ação como réus. Nós tínhamos decidido por um encaminhamento aos trabalhos, mas as lideranças optaram por outro que não concordo. Por isso decidi me afastar dos trabalhos.
A mesma alegação foi usada pelo vereador Salvador Francisco. Os vereadores acusados pela promotoria de Defesa do Patrimônio Público de envolvimento no caso são Carlos Kita (PTB), Célio Guergoletto (PMDB), Jorge Scaff (PDT), Orlando Bonilha Proença (PDT), além do ex-vereador Jaci Aguiar (PDT).Arquivo FolhaDe voltaFlávio Vedoato, que estava na Europa, retornou ao comando da CEIBenê Bianchi





