Vazio urbano encarece custos públicos
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de janeiro de 1997
Marcos Zanatta Sucursal de Maringá 
Arquivo FolhaOcupação limitadaVista geral da cidade: vazios urbanos (ao fundo), voltados à especulação, encarecem custos
Extensas áreas desocupadas, entre o centro de Maringá e a periferia da cidade, geram reclamações de moradores e encarecem os custos de manutenção da limpeza urbana, ao mesmo tempo em que servem à especulação imobiliária. Nenhum setor da administração tem idéia da dimensão exata dos espaços urbanos sem ocupação, que em alguns casos chegam a abrigar até lavouras de soja, entre um bairro e outro.
A prefeitura também não tem um cálculo do custo de implantação da infra-estrutura necessária para se levar energia, água e pavimentação até bairros separados do núcleo urbano central por grandes terrenos baldios.
O secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Hamilton Cardoso, acredita que 70% dos mais de 3 milhões de metros quadrados de áreas cadastradas para roçagem são propriedades particulares. Estes vazios urbanos acabam exigindo uma estrutura muito grande de manutenção.
Apenas no ano passado a secretaria recebeu 3 mil reclamações de moradores, a maior parte de lixo ou mato em terrenos baldios. Para realizar todos os serviços de responsabilidade da secretaria, Cardoso acredita que seriam necessários 300 funcionários.
Porém, o setor conta com apenas 60 homens, que vêm trabalhando inclusive nos finais de semana no combate ao mato. Optamos por fazer mutirão nos bairros com situação mais crítica, colocando todo o pessoal na mesma área, conta. A situação em alguns locais é tão crítica que até os moradores têm auxiliado na limpeza de terrenos baldios. No Jardim Higienópolis, que está entre os menores bairros de Maringá, a secretaria levou uma semana para limpar todos os terrenos baldios.
A solução imediata encontrada pela secretaria é a terceirização do serviço de roçada. O problema, diz Cardoso, é que todo processo é demorado por causa da necessidade de abertura de concorrência.
O ideal, na opinião dele, seria o proprietário assumir a roçada, mas isso não ocorre. Cardoso explica que a primeira roçada custa em torno de R$ 13 para um terreno de 300 metros quadrados. O valor é progressivo, e mesmo dobrando a cada roçada, poucos proprietários assumem o serviço.
Os vazios urbanos se refletem também na coleta de lixo. As grandes áreas entre o centro e a periferia encarecem o custo do serviço. Contamos com apenas 10 caminhões cedidos pelo governo do Estado, e já estamos renovando um contrato de terceirização de parte da coleta, diz. O volume de lixo cresceu cerca de 65 toneladas nos últimos cinco anos, e a frota continua a mesma.
O secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Carlos Eduardo Schwabe, diz que os vazios urbanos deveriam ser prioridade para novos loteamentos. Além dos problemas ambientais, as áreas desocupadas acabam onerando a extensão da infra-estrutura para novos bairros, afirma. São necessários quilômetros de pavimentação, cabos de energia e tubulação de água para vencer as áreas desabitadas.
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Em época de chuva, terrenos vazios acabam se tornando um grande problema. O mato cresce depressa e, em alguns pontos, ocorre o deslizamento de terra para as ruas pavimentadas. A lama na rua acaba escorrendo para as galerias, entupindo a rede e causando grande transtornos para os moradores.
Dificilmente, segundo Schwabe, ocorrem alagamentos em imóveis por causa do entupimento das bocas-de-lôbo, mas o município é obrigado a manter duas equipes apenas para limpar as entradas de galerias. Cinquenta operários trabalham apenas na limpeza das bocas-de-lôbo.
Em média são desentupidas 20 entradas de galerias por dia. Mas em alguns casos o problema é bem maior. Em bairros onde existem os vazios urbanos, é comum moradores jogarem lixo em terrenos desocupados. Com a chuva, o lixo é levado para as galerias, entupindo a entrada da rede. É comum encontrar garrafas de plástico, latas e até animais mortos nas galerias.
Tudo isso causa grandes transtornos para os moradores e tem um custo elevado para o município, diz o presidente do Serviço Autárquico de Obras e Pavimentação (Saop), Ivo Espindola de Barros.


