O coordenador da Defesa Civil de União da Vitória, Mário Slompo, acredita que a mancha de óleo, que vazou no último domingo da Refinaria Getúlio Vargas (Repar) deverá demorar mais tempo para chegar a cidade. A estimativa era que hoje o combustível estaria contaminando o abastecimento do município, situado na Região Sul do Estado. No entanto, Slompo informou que a vazão do Rio Iguaçu está abaixo da média, diminuindo a velocidade de deslocamento do produto.
‘‘Normalmente, a água que sai de Curitiba demora entre
três a quatro dias para chegar na cidade. Mas, com a vazão baixa, esse tempo aumenta para sete dias’’, disse. Por hora, a mancha estaria percorrendo uma velocidade média de um quilômetro. Em épocas de cheia, o rio teria transportado o produto com uma velocidade de quatro quilômetros por hora. De Curitiba a União da Vitória o Iguaçu percorre 300 quilômetros. Por causa dessa lentidão das águas, Slompo acredita que a Petrobras pode ganhar tempo e com isso evitar que a água contamine o abastecimento da cidade.
Para o coordenador da Defesa Civil, a maior dificuldade enfrentada na cidade é a falta de informações. Desde que aconteceu o acidente, a prefeitura vem tentando saber da Petrobras como deve proceder. ‘‘A Petrobras não tem dado resposta aos nossos chamados’’, afirmou, acrescentando que ontem a tarde um novo contato foi feito sem nenhum retorno.
Slompo considera que o problema emergencial da cidade é saber como proceder para manter o abastecimento da cidade normal. Diariamente, os 73 mil moradores da região urbana de União da Vitória e Porto União (SC) consomem 12 milhões de litros. União da Vitória e Porto União são cidades conurbadas, cada uma em um lado da fronteira dos dois estados.
As duas cidades estão montando um sistema emergencial de abastecimento, caso o rio Iguaçu não possa ser utilizado. Hoje, às 10 horas, as coordenações da Defesa Civil dos dois municípios deverão se reunir para estabelecer um plano em conjunto. Existe a possibilidade de desviar o leito de rios, distantes do Iguaçu, para fazer uma adutora que abasteça a cidade. ‘‘Porém um medida desse porte vai dispender recursos’’, afirmou. Além dessa medida, outra que deverá ser tomada é o cadastramento de poços artesianos e equipamentos para armazenar o produto. ‘‘Se precisar, será preparado um esquema para abastecer hospitais e escolas’’, avisou.
‘‘Existe a informação que o óleo é cancerígeno e alguém precisa explicar como manuseá-lo’’, afirmou. Mário Slompo entende que a estatal deve também participar nos gastos eventuais que terão que ser feitos para preparar a cidade de um possível desabastecimento. ‘‘Queremos que um representante da área ambiental da Petrobras venha conversar e que alguém
possa assumir a responsabilidade’’, disse.

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