O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) está procurando o culpado pelo vazamento descoberto ontem no Córrego Bororé, perto da Avenida Arthur Thomas, na zona oeste de Londrina. A fiscalização da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) aponta a existência de esgotos clandestinos, mas ambientalistas que denunciaram a poluição dizem que a responsabilidade seria da Sanepar.

O vazamento foi descoberto por integrantes da Patrulha das Águas e confirmado pela Folha ainda pela manhã. Nas galerias pluviais, onde deveria passar apenas água da chuva para o leito do rio, havia um líquido denso em tom marrom e também resíduos de esgoto com um cheiro forte que exalava da nascente. ''Sempre percorremos os rios dessa região, tanto que passamos por aqui há uma semana e não havia nada. Temos certeza que o vazamento é da Sanepar'', disse o diretor da Patrulha das Águas, João Batista Moreira Souza, contrariando as primeiras avaliações da AMA.

Segundo o presidente da AMA, Luiz Eduardo Cheida, há indícios de produtos usados em oficinas mecânicas e postos de combustível. ''Encontramos graxa, xampus e solventes. Esse material é perigoso porque contém fenol, substância cancerígena'', explicou Cheida, lembrando que o acidente é de grandes proporções se comparado ao tamanho do córrego. ''A quantidade pode ser aparentemente pequena, mas vale lembrar que um litro de óleo pode cobrir um quilômetro quadrado de lençol d'água'', destacou.

Como não havia certeza de quais poluentes compõem os dejetos, a AMA solicitou coleta e análise do material ao IAP. O exame deve demorar, no mínimo, cinco dias. Até o final da tarde de ontem, técnicos da Sanepar verificavam se havia algum vazamento das tubulações da região.

O Córrego Bororé é um dos 14 afluentes do Rio Cambezinho, que percorre 28 quilômetros da área urbana de Londrina. Os fiscais da AMA estão fazendo uma varredura nas empresas comerciais dos jardins Bandeirantes e Industrial, bairros próximos ao local poluído, para tentar identificar a origem do vazamento.

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