A mancha de óleo cru vazado domingo da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, havia poluído, até o final da tarde de ontem, 45 quilômetros de rios da Região Metropolitana de Curitiba. Às 17h30, o vazamento já atingia cinco quilômetros do rio Barigui, na divisa da Capital com Araucária, e 40 quilômetros do rio Iguaçu, alcançando a localidade de General Lúcio, no município de Balsa Nova.
A expectativa da Petrobras era conter o avanço da mancha nesse local, impedindo que ela chegasse a uma área de corredeiras do rio, o que dificulta o trabalho de retirada. Em entrevista coletiva, no final da tarde, a estatal chegou a anunciar que o vazamento estava controlado, com o óleo contido em bolsões nas barreiras montadas nas localidades de General Lúcio e Guajuvira.
Segundo o diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Albano de Souza Gonçalves, cerca de 800 mil dos 4 milhões de litros de petróleo derramados permaneciam nos dois rios e na área da refinaria onde ocorreu o vazamento. Até o final da tarde, haviam sido recolhidos cerca de 310 mil litros. Do restante, de acordo com Gonçalves, 2 milhões de litros permeneceram no solo, sem atingir os rios, e entre 20% e 30% do total já se evaporou.
Ambientalistas ouvidos pela Folha e o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Antonio Andreguetto, que sobrevoaram a extensão atingida, confirmaram que a expectativa da Petrobras, de conter a mancha em Balsa Nova, deveria se concretizar. Com isso, estaria descartada a chegada do óleo a União da Vitória, município abastecido pelo Iguaçu.
Mesmo assim, foram montadas duas barreiras de contenção à frente de Balsa Nova, nos municípios de Porto Amazonas e São Mateus do Sul. Com essas, havia oito barreiras em pontos diferentes do rio. Na noite de anteontem, em Balsa Nova, funcionários da Petrobras abriram um canal unindo o Iguaçu a uma cava de extração de areia, na tentativa de desviar o curso do óleo, separando-o da água.
Hoje, o número de pessoas envolvidas no trabalho pode chegar a mil – 800 da Petrobras, cem da Defesa Civil e do governo do Estado e mais cem contratados. Quatro técnicos da empresa norte-americana Clean Caribbean Cooperation começaram a coordenar a operação ontem. Gonçalves disse não ter estimativa dos custos totais do trabalho, mas afirmou que não há limite de recursos. ‘‘Vamos gastar o que for necessário.’’
Segundo o presidente do IAP, o nível do rio, abaixo do normal devido à estiagem, contribuiu para que o óleo avançasse com menor rapidez do que o previsto e impediu que o produto atingisse áreas de várzeas, onde vive a maior parte dos animais. A velocidade de avanço da mancha ontem era muito inferior aos 800 metros por hora do dia anterior.
Se a previsão se confirmar, a Petrobras espera encerrar a retirada do óleo do espelho d’água dos dois rios em dez dias. O tempo para a limpeza de mangues e das margens não foi estimado. (Colaborou Maigue Gueths, enviada a Araucária)

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