O vazamento de um produto tóxico de uma estação de tratamento da Sanepar provocou a morte de milhares de peixes ontem, no Córrego Água Fresca, em Londrina. A poluição atingiu toda a extensão do rio, que desagua no Lago Igapó 2 (área central de Londrina). O chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ney Paulo, já adiantou que a multa será de no mínimo R$ 80 mil, podendo chegar a um valor três vezes maior porque a Sanepar é reincidente. ''Além da multa, a Sanepar também deverá reparar o dano ambiental'', afirmou.
Moradores do Jardim Higienópolis (região central) perceberam um material amarelado como ferrugem poluindo as águas do córrego durante a manhã de ontem e acionaram fiscais da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). Entre a nascente e a foz trecho com pouco mais de um quilômetro foram encontradas várias espécimes de peixes mortos, além de milhares de alevinos boiando na superfície do córrego. Perto de uma galeria pluvial que sai da Estação de Tratamento da Sanepar, na Avenida Juscelino Kubitschek, foi registrada alta concentração do material.
O chefe de fiscalização da Sema, Luiz Campanhã Filho, esteve no local, percorreu o leito do rio e reuniu-se com funcionários da empresa. ''A Sanepar já foi notificada'', explicou, destacando que a Sema aguardará o laudo do IAP para avaliar a dimensão do dano e aplicar a multa cabível. O prazo para laudo do IAP ficar pronto, segundo Ney Paulo, é de 30 dias, mas ele vai pedir prioridade. A multa do IAP também só será aplicada depois do resultado da análise.
O coordenador da Organização Não Governamental (ONG) Patrulha das Águas, João Batista, também auxiliou na identificação do foco poluidor e disse que o impacto ambiental foi ''altíssimo'', levando em conta a dimensão do córrego. A mancha amarela só não se alastrou pelo Igapó 2 porque uma tubulação localizada ao lado da Rua Joaquim de Matos Barreto (via que margeia o lago) funcionou como uma espécie de represa, contendo o material tóxico.
A Sanepar admitiu que houve falha ontem durante o manuseio do cloreto férrico, material usado no processo de tratamento da água para separar impurezas. De acordo com o gerente de operação de água e esgoto, Nelson Okano, durante o preparo, o produto químico vazou do tanque e escorreu para a galeria de águas pluviais. Não se sabe o volume vazado. Okano informou que a saída para a galeria já foi lacrada e se outro vazamento ocorrer o produto químico estaria direcionado para o tanque de recirculação de água.
Segundo Okano, o cloreto férrico reaje com a água aglutinando a sujeira e formando flocos de ferro, além de alterar seu PH. ''Não dá para afirmar ou negar que essa tenha sido a causa para a mortalidade dos peixes'', disse, ressaltando que a Sanepar deverá recorrer da multa.

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