Na casa dos Santos, na Vila Portuguesa, Marlene e Denival não dão conta de limpar a sujeira que toda chuva, seja forte ou fraca, traz, há cerca de três anos, quando a Sanepar, regularizando a rede de esgoto local, instalou uma CPV (Caixa de Poços de Visita) na área dos fundos da moradia. ''Toda vez que chove'', reclama Marlene, ''enche de lixo o meu quintal''.
Com 4 filhos, de 1 a 15 anos de idade, o casal procura manter o local limpo, já que reclamações à Sanepar pouco tem adiantado. ''O que eles fazem'', comenta Marlene, ''é, a cada vez que a caixa estoura, colocar mais concreto nas laterais e por cima, mas isso não resolve o problema''.
As dificuldades do casal não páram por aí. A casa, onde vivem há mais de 14 anos, fica ao lado de um córrego, uma das nascentes do Ribeirão Quati, e pelas águas, que deviam ser límpidas, desfilam cotidianamente e ancoram nas imediações, os mais diversos tipos de lixo. Além do cheiro e dos pernilongos, há o perigo constante de doenças. ''Os filhos pequenos'', conta Marlene, ''com 9 e 10 anos, que a gente não consegue segurar, são os que mais sofrem, vivem com vermes''.
Contudo, quando ocorreu o mais recente vazamento de esgoto ''exclusivo'' na casa dos Santos, há cerca de uma semana, houve vítimas. A cachorra de estimação acabara de ter uma ninhada e os filhotinhos devem ter mexido na sujeira e se servido dos ''quitutes'' à disposição no meio do lixo. O resultado é que todos morreram.
Para João Batista Moreira Souza, da ONG Patrulha das Águas, que denunciou à Promotoria do Meio Ambiente os cerca de 12 pontos de vazamento de esgoto surgidos com as últimas chuvas nas imediações do Centro Social e Urbano (CSU) da Vila Portuguesa, ''não se pode aceitar como normal ou corriqueiro fatos como esses''.
Em sua opinião, vazaram por toda a área ''em torno de 50 mil litros de esgoto, deixando a população, que mora na região ou que utiliza o local como área de lazer, totalmente exposta''. A partir dessa amostra, não há dúvida, segundo afirma, ''de que não está existindo monitoramento da rede de esgotos da cidade''.
A Folha não conseguiu localizar ontem à tarde a direção regional da Sanepar.

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