Vaticano acolhe movimento carismático
Maigue Gueths
De Curitiba
O Vaticano não é contrário ao movimento carismático, criado recentemente dentro da Igreja Católica, assim como acredita que as expectativas para o ano 2000 e o próximo milênio dependem da postura que as pessoas tomarem frente a Deus e a seus semelhantes. A declaração, feita ontem, é de dom Álfio Rapisarda, Núncio Apostólico e representante do Papa João Paulo II no Brasil.
A maior preocupação da igreja sempre foi e continua sendo acolher a Deus nas nossas vidas, porque aí ele será o protagonista destas vidas, disse ele, que está em Curitiba, desde o dia 16 até amanhã participando das programações cultural e religiosa em comemoração aos 40 anos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).
Para dom Rapisarda, os grandes eventos feitos pelos carismáticos, dentro da religião católica, mostram que apesar das grandes conquistas materiais, o povo ainda sente falta de algo que ele não consegue satisfazer. E a igreja deveria se empenhar em dar respostas ao homem sobre esta sede, esta ânsia de Deus. Por isso, sou a favor de tudo que leve à alma de Deus, disse.
Para ele, se as pessoas tivessem um maior relacionamento com Deus, a violência certamente seria menor. Por isso, para dom Rapisarda, o novo milênio depende justamente dessa aproximação das pessoas com Deus e seus princípíos.
Sentado ao lado do arcebispo de Curitiba, dom Pedro Fedalto, e do reitor da PUC-PR, Clemente Ivo Juliatto, dom Rapisarda ressaltou também a importância das universidades, em especial as católicas, na preparação da vida social e pessoal dos seus alunos, dando-lhes uma formação integral e cristã como cidadãos. Como cidadão, ele tem que sentir a responsabilidade social sobre ele, não tornando-se insensível às dificuldades do mundo.
Dom Rapisarda falou, ainda, da recente aproximação das igrejas católica com os protestantes, lembrando que esta união é bastante propícia, uma vez que o Deus é o mesmo, e as diferenças existentes podem ser acertadas, corrigidas ou melhoradas com o tempo. Isto nos ajuda a entender melhor os problemas da humanidade, da violência, dos direitos humanos. Termos o mesmo pai já é uma grande coisa, e se não dá para derrubar as barreiras, pelo menos podemos respeitar os outros, disse, defendendo o direito de cada um a manifestar sua fé e religião.





