Vasos devem ser retirados dos túmulos
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Vasos tombados, recipientes e flores retirados, areia e muito entulho amontoado pelas ruas do Cemitério Padre Anchieta, localizado no Jardim Ideal (Zona Leste de Londrina), compuseram o cenário encontrado ontem por familiares que foram visitar os túmulos de parentes enterrados no local.
As mudanças foram provocadas pelo mutirão contra a dengue realizado na semana passada. Agentes de endemias e funcionários da prefeitura recolheram todos os objetos passíveis de acumular água e tombaram os vasos de pedra fixados nas tampas dos túmulos.
De acordo com a superintendente da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), Luciana Viçoso de Oliveira, o mutirão já passou pelos cemitérios São Pedro (Área Central), São Paulo e Padre Anchieta. Nesta semana, o trabalho será realizado no Jardim da Saudade (Zona Norte) e João XXIII (Área Central).
''Por causa do risco da dengue, estão proibidos flores artificiais e recipientes que propriciem o acúmulo de água'', explicou. A orientação do serviço é que as famílias façam a retirada dos objetos. Vasos fixos, quando não forem removidos, devem ser mantidos com areia até a borda para evitar que sejam tombados. Flores naturais podem ser colocadas apenas nos dias das Mães, dos Pais e Finados.
A superintendente ressaltou que apenas no cemitério Padre Anchieta foram identificados mais de 50 focos do transmissor da dengue. No cemitério São Pedro, também havia criadouros com larvas às vésperas de se transformarem em mosquitos. Dois caminhões fazem a retirada dos entulhos, mas, diante do grande volume de materiais, os veículos não estão sendo suficientes. ''Continuaremos o serviço até conseguirmos tirar tudo'', enfatizou Luciana.
Apesar do risco da doença, as medidas desagradaram alguns familiares de parentes enterrados no Padre Anchieta. ''Foi um vandalismo o que fizeram. Levaram seis vasos de flores do túmulo da minha mãe'', disse a consultora de beleza Jaqueline Amaral Pereira. Ela e o pai, Sidney Pereira, visitam o túmulo toda semana e mantêm os vasos sem água. ''Temos inclusive um toldo. Não entendi por que tiraram tudo'', lamentou.
A dona de casa Marili Salermo também assustou-se com os vasos quebrados sobre o túmulo do pai. ''Já tinha visto durante a semana. Hoje (ontem) vim recolher os cacos e limpar'', disse ela, que gostaria de ter sido avisada sobre as regras. ''Teria vindo antes para retirar os vasos.''
A aposentada Emília Lopes Barbosa defendeu a manutenção de túmulos sem vasos por causa do risco da doença. Em visita ao cemitério, ela também não conseguiu ver os resultados da limpeza. ''Tem água parada e muitos entulhos. O mutirão não resolveu muita coisa'', criticou.


