Varredores de rua reclamam dos equipamentos
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quarta-feira, 06 de outubro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Varredores responsáveis pela limpeza pública de Londrina estão reclamam das condições de trabalho. Segundo um grupo de funcionários que procurou a Folha para fazer a denúncia, todos os equipamentos utilizados para a varrição estão fora dos padrões, dificultando os trabalhos e provocando lesões musculares e ósseas.
De acordo com um dos funcionários, que não quis se identificar temendo represálias, os problemas começam com as vassouras disponibilizadas para a varrição, passando pelas luvas, pá para recolhimento do lixo, uniforme e o carrinho. Eles trabalham para a Eco System, empresa que presta serviços à prefeitura.
''As vassouras são grandes demais, o que impede a limpeza dos meios-fios quando há um carro estacionado. Além disso, somente a parte das cerdas é trocada de três em três meses. O cabo é sempre reaproveitado. A pá para recolhimento do lixo é grande e pesada, o que força a gente a trabalhar numa posição muito incômoda. Os uniformes são menores do que a numeração especificada. Ficam apertados e se desgastam com mais facilidade. E o carrinho, de plástico, não recebe manutenção há tempos. O meu já está furado'', descreveu o funcionário, mostrando o vazamento de chorume nos fundos do carrinho.
Ainda segundo o varredor, os mil novos cestos de lixo instalados na cidade pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) criaram um novo problema. ''Os cestos não são mais basculantes como antes, quando podíamos encaixar o saco de lixo e virá-lo de ponta cabeça, despejando o material. Agora, temos que usar luvas de pano cobertas com tinta para enfiar a mão no cesto e retirar o lixo. É vergonhoso e corremos o risco de cortes ou perfurações, já que estas luvas são frágeis'', explicou.
A Eco System presta o serviço para a CMTU desde dezembro de 2002 e recebe da companhia R$ 166 mil mensais para a limpeza das ruas e desobstrução dos bueiros. As informações são da própria companhia. ''Não há especificações quanto ao uso de equipamentos ou quantidade de funcionários. Eles têm que manter a cidade limpa'', afirmou a presidente da CMTU, Rosimeire Suzuki, que continuou: ''Sabemos que o formato antigo dos cestos era mais prático. Mas precisamos reduzir os índices de depredações e instalar cestos fixos foi a forma que encontramos'', disse. ''Antes, as pessoas chutavam os cestos só para vê-los rodar'', lembrou.
O gerente da Eco System, Reginaldo Queiróz, rebateu as denúncias dos funcionários afirmando que parte dos equipamentos está enquadrada nas especificações exigidas para o tipo de serviço. Para a outra parte, a manutenção estaria sendo providenciada.
''Vassouras e pás estão dentro do padrão adotado pela empresa e não podem ser menores, sob o risco de comprometer o rendimento do serviço. Já orientamos os funcionários a fazer somente o possível para a limpeza. Se o equipamento impedir, eles não serão cobrados. Quanto às luvas, elas não poderiam ser feitas de outro material, pois dificultariam o trabalho e os próprios funcionários não as usariam.''
Ainda de acordo com Queiróz, os funcionários são orientados a recolher o lixo devagar, para evitar acidentes, que não registramos desde o início dos trabalhos. ''Já os carrinhos passam por um desgaste normal e serão reformados até a segunda quinzena de novembro. E as roupas com numeração menor foram encontradas somente em um lote de uniformes, que já está sendo reformado'', acrescentou.


