Curitiba - A impressão de que cachaça é bebida de mendigo e de botequeiro está caindo por terra. Não é de hoje que o destilado típico do Brasil vem se sofisticando e ganhando adeptos nas classes mais abastadas. Essa tendência se reflete na pluralidade de opções (hoje existem gelatina, licores e bebidas aromatizadas feitas de cachaça) e no preço de algumas marcas, que chegam a custar R$ 550 a garrafa, como a mineira Havana.
Na opinião do comerciante Heltonn Girandello, dono de uma loja especializada em cachaças no Mercado Municipal, é possível notar um crescimento no número de adeptos da bebida nos últimos anos. ''Está melhorando, estamos conseguindo mostrar que cachaça não é pinga'', afirma, referindo-se à diferença no processo de fabricação das duas bebidas que, muitas vezes, confunde o consumidor. Segundo ele, a cachaça é feita apenas com o ''coração'' do material destilado, o que equivale a apenas 20% do total, enquanto a pinga não é tão seletiva. ''Tem mais mistura'', explica.
Segundo o comerciante, as mineiras ainda são as mais procuradas pelos consumidores, mas as cachaças paranaenses aos poucos vão ganhando espaço no mercado. Uma das estrelas do Estado é a Terra Vermelha, produzida de forma orgânica na cidade de Assaí (36 Km a leste de Londrina), mas existem produtos com boa saída produzidos em Morretes, no litoral do Paraná.
Há um ano nesse ramo, Girandello afirma que o retorno financeiro é positivo. Ele aponta como um dos motivos o perfil do público consumidor. ''O cliente que toma cachaça está sempre aberto a novas experiências'', diz. A possibilidade de provar os produtos no seu estabelecimento também ajuda desmistificar a má fama da bebida. ''Tem muito cliente novo que está acostumado com pinga e quando toma (cachaça) fica surpreso'', observa.
Outra prova de que a bebida está mudando de status no imaginário dos curitibanos, é que ela já está se tornando uma opção de bom gosto para várias ocasiões. A farmacêutica Renata Fonseca, 27 anos, encontrou na cachaça uma boa opção para presentear três amigos. ''Para quem gosta é um presente diferente e que tem um custo bacana'', avalia. Além das três garrafas que levou para os colegas, a jovem também comprou para si uma cachaça de canela. ''Essas mais licorosas eu gosto'', diz.

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