Paulo WolfgangPalavra de médicoZanetta: varicela não oferece riscos para crianças saudáveisA enfermaria pediátrica do Hospital Universitário de Londrina está em isolamento. O diagnóstico de varicela em uma das criança internadas na enfermaria motivou, na semana passada, o isolamento do setor e a paralisação parcial do atendimento do pronto-socorro pediátrico. No final de semana, o PS voltou a atender normalmente. Mas a enfermaria continua isolada.
‘‘As crianças que não tiveram varicela e que apresentem problemas de ordem cirúrgica ou precisam de internamento para investigação estavam sendo encaminhadas para outros hospitais’’, informou o pediatra do HU Gerson Zanetta de Lima.
Ele explicou que a varicela é uma doença benigna e que não traz problemas quando contraída até os 15 anos. Entretanto, nas crianças que estão com a imunidade reduzida, devido a outras doenças, a varicela é grave. ‘‘E esse é o caso das crianças hospitalizadas’’, argumentou. ‘‘Daí a importância dos cuidados que estamos tomando’’. Na sexta-feira passada, o PS pediátrico foi desinfetado com produtos químicos.
A varicela, conhecida popularmente por catapora, é uma doença provocada por vírus do grupo herpes. O médico explicou que o contágio acontece de forma fácil, pelo ar ou pelo contato direto com a pessoa infectada. Quando ocorre em crianças saudáveis, a varicela não representa riscos.
A fase de contaminação começa dois dias antes que apareçam os sintomas. A doença demora em média uma semana. Por essa característica, fica impossível evitar o contágio. O vírus pode ficar incubado em período que varia entre 8 e 21 dias.
Segundo Lima, a doença pode manifestar-se com febre baixa, na fase inicial. Mas o principal sintoma são vesículas que aparecem no corpo, principalmente na face, no tronco, nas raízes dos membros e nas mucosas (oral e ocular).
As vesículas são pequenas bolhas d’água transparentes. A pele ao redor da vesícula fica rosada. ‘‘É uma gota de orvalho numa pétala de rosa’’, comparou o médico.
As vesículas se abrem e formam pequenas úlceras, que mais tarde criam crostas e cicatrizam, encerrando o ciclo da doença. Os cuidados são simples. ‘‘Basicamente são os cuidados normais de higiene da criança’’, disse. O acompanhamento médico também é importante.
Lima faz um alerta: não devem ser usados pomadas ou qualquer medicamento sem recomendação médica. ‘‘Jamais dêem remédios à base de ácido acetil salicílico (AAS) para uma criança com varicela’’, recomendou.
Segundo Lima, o uso de medicamentos com esse componente químico pode provocar uma doença rara na criança, chamada síndrome de Reye - doença grave que atinge o fígado. O AAS está presente nas fórmulas de analgésicos e antitérmicos como Aspirina, Melhoral, Doril, entre outros.
Lima explicou que existe uma vacina para prevenir a doença. Ela foi desenvolvida no Japão, na década de 70. Inicialmente, a vacina foi pesquisada para ser aplicada nas crianças com o sistema imunitário fragilizado, nos momentos em que o quadro clínico indicasse melhoras. ‘‘A vacina mostrou excelente eficácia e passou a ser recomendada para a população em geral.’’
No Brasil, a vacina contra varicela só está disponível em clínicas particulares. ‘‘Ela é muito cara. E as prioridades da saúde do brasileiro são outras. Dados mostram que de 90 a 95% das crianças com 10 anos já tiveram a doença’’, diz Lima.

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