São Paulo As varas judiciais criadas este ano para julgar casos de lavagem de dinheiro estão sendo fundamentais no combate ao crime organizado, impedindo que o dinheiro ilícito seja colocado no mercado de forma legal, de acordo o ministro do Superior Tribunal da Justiça (STJ), Gilson Dipp. ''Eles (os criminosos) atuam como empresas. Se uma empresa não tem dinheiro legal circulando, ela deixa de existir'', explicou Dipp, durante conferência realizada em São Paulo.
Já estão em funcionamento as varas do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Ceará e Pernambuco. Uma nova vara será instalada em breve em São Paulo, informou o ministro.
A criação de varas especializadas é inédita no mundo. Em Foz do Iguaçu, onde fica a tríplice fronteira, está concentrado o maior número de incidência de atividades ilegais. Só em Curitiba, estão em andamento 1,5 mil processos de investigação de lavagem de dinheiro.
Segundo o embaixador Marcos Caramuru, presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), as autoridades estão atentas às artimanhas dos criminosos, que estão sempre buscando alguma brecha na legislação para a lavagem de dinheiro, como a compra de bilhetes de loteria premiados e contratos com seguradoras.
Caramuru ressaltou que a Coaf está seguindo as recomendações do Conselho Internacional de Controle de Atividades Financeiras para coibir a lavagem de dinheiro. Entre as normas estabelecidas, está a determinação de que os bancos informem ao Coaf sobre todas as transações em dinheiro que forem consideradas suspeitas, além dos saques acima de R$ 100 mil. Caso um País não siga as recomendações, ele entra na lista negra do Conselho, disse o embaixador.

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