Como em boa parte do Estado, Londrina possui um número insuficiente de Varas Criminais. Para o juiz titular da 5º Vara Criminal, Paulo César Roldão, a falta de estrutura da Justiça é um dos principais motivos para o grande número de presos provisórios. ''Houve drástico aumento de presos nos últimos 10 anos. Mas o número de varas no município continua o mesmo - cinco - a não ser pela Vara Maria da Penha que foi inaugurada nesta semana, mas que não representa muito no total de provisórios'', lamenta o juiz.
Além da falta de reposição de funcionários que se aposentaram ao longo dos anos, Roldão - cuja vara possui cerca de 1,2 mil processos em andamento -lembra ainda que a construção de unidades prisionais não cresceu na mesma proporção, fato que reflete na superlotação dos presídios e no andamento dos processos. ''Teríamos que sentenciar uma média de cem processos ao mês. Conseguimos, no entanto, cerca de 60.'' Segundo o juiz, os processos estão demorando cerca de seis meses para serem julgados na comarca e quase dois anos em outras instâncias jurídicas, para onde vão em casos de recursos.
Enquanto a situação não se resolve, problemas nos distritos são frequentes. Em abril, a juíza da Vara de Execuções Penais (VEP), Márcia Guimarães, interditou o 2º DP, onde grande parte dos presos está alocada em cédulas modulares, espécies de contêineres, justamente pela falta de celas. ''Ainda que saiam presos todos os dias, o número que entra é muito maior'', revela a juíza. Apesar da capacidade máxima para 122 presos, a ordem judicial determina, no máximo, 188 vagas.
Ontem, depois de um preso ser solto por engano do 2º DP, outros 25 detentos foram transferidos para unidades prisionais do município, o que não diminuiu a superlotação.
Além dos fatores apoontados por Roldão, a juíza da VEP acredita que a tão esperada construção da Colônia Penal Agrícola e Industrial, assim como da Penitenciária Feminina no município, irão desafogar as delegacias. ''Essas medida são muito importantes, mas não podemos esquecer das políticas de ressocialização e conscientização da população. Caso contrário, esses locais vão continuar sendo um depósito de pessoas que vão sair piores de quando entraram.'' (M.T.)

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