Vara Maria da Penha completa seis meses
''Sou juíza há 20 anos, já passei por várias Varas, mas nenhuma é como esta. Aqui trabalhamos num clima difícil porque lidamos com famílias, relações afetivas e crianças''. A declaração é da juíza da 6 Vara Criminal - a Vara Maria da Penha, Zilda Romero.
A Vara completa seis meses no dia 5 de abril e já registra 3.289 ações penais, com determinação de 564 medidas protetivas (afastamento do agressor), três prisões preventivas e duas temporárias. A juíza disse que mais dois mil inquéritos estão no Ministério Público e devem ser transformados, em breve, em ações penais.
''Os números são crescentes, as mulheres estão mais encorajadas a procurar ajuda, mas, mesmo assim, apenas um terço denuncia'', disse. A quantidade de ações registrada em seis meses na Vara Maria da Penha era esperada para o fechamento do primeiro ano.
Para a juíza, o combate à violência doméstica deve iniciar dentro de casa, na educação das crianças. ''Desde pequenos eles aprendem a ser 'machões', enquanto elas são educadas para serem delicadas e submissas'', disse. Para ela, a mudança de conceito deve partir da família e poderia ser reforçada nas escolas. Ela acredita que a violência no lar é reflexo da violência urbana e que uma forma de quebrar este ciclo é estruturando as mulheres ''que são o esteio das famílias''.
Entre os casos que mais chocaram a juíza está o de uma mulher, mãe de dois filhos, que atualmente vive escondida em uma cidade da região de Londrina. Durante várias horas ela foi esfaqueada, estuprada e espancada pelo ex-marido na frente das crianças - a maior com sete anos. ''Agora ele está na cadeia, onde ficará por muitos anos. Ela está segura, mas como tirar trauma dessas crianças?'' (M.A.)





