Vans podem interferir na tarifa de ônibus
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sexta-feira, 26 de julho de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) avaliou ontem que a implementação do transporte alternativo com vans em Londrina, proposto pela Associação de Autodesenvolvimento Econômico e Sócio-cultural (Apadesc), poderá desestruturar o equilíbrio da planilha de custos fixos do transporte coletivo. Uma das possíveis consequências, a médio prazo, seria o aumento da tarifa de ônibus, que hoje é de R$ 1,15. O último reajuste ocorreu em junho do ano passado.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, afirmou que o desequilíbrio aconteceria porque as vans poderiam interferir numa fatia importante do mercado, que hoje é estimado em 3,5 milhões de passageiros por mês. ''Essa é a lógica da planilha'', afirmou Sella.
Em abril deste ano a CMTU já fechou um acordo com a Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) para barrar um reajuste de 17% da tarifa, que passaria para R$ 1,35. Pelo acordo, o Município reduziu a alíquota de Imposto Sobre Serviço (ISS) - de 3% para 1% - e a taxa de gerenciamento paga pela TCGL à companhia, que caiu de 6% para 4%.
A companhia continua entendendo que a iniciativa da Apadesc é ilegal, uma vez que somente a CMTU teria competência para tratar de transporte na cidade, tanto em nível individual quanto coletivo. Até ontem os agentes de trânsito não flagraram nenhuma van ligada à associação circulando em Londrina, mas a fiscalização continua atenta. A CMTU disse, porém, que as nove vans escolares que se filiaram à associação poderão ter seus alvarás cassados, caso não solicitem seu desligamento do transporte de estudantes.
O gerente da TCGL, Gildalmo de Mendonça, alegou que em todas as cidades onde as vans passaram a operar ocorreu o desequilíbrio econômico-financeiro das empresas de transporte coletivo e do próprio sistema de transporte de passageiros numa reação que atingiria toda a cadeia produtiva. ''Mesmo assim, um reajuste não iria cobrir os prejuízos e poderia haver ainda mais danos à cidade'', destacou.
Ele precisou que a empresa já trabalha no seu limite e que não teria condições de absorver mais este impacto. Ele lembrou que, nos meses de junho e julho, o óleo diesel aumentou mais de 18% e o custo do combustível na planilha, que era de R$ 0,7247, hoje está em R$ 0,9631. ''Nossa luz amarela já está acessa'', argumentou. Além disso, motoristas e cobradores também tiveram reajustes salariais de 7% em junho. Outro ponto negativo, no entendimento de Mendonça é o fato de que as vans não teriam nenhum compromisso em conceder benefícios, como a gratuidade que representa cerca de 30% dos usuários.
A ''invasão das vans'', como qualificou, também atingiria os trabalhadores da empresa. Para cada ônibus fora de circulação, Mendonça afirmou que entre 5 e 6 funcionários poderiam ser dispensados. ''Se não somos uma empresa excelente, estamos trabalhando na busca contínua pela excelência'', finalizou o gerente.


