Vândalos queimam e depredam escola na Zona Norte
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segunda-feira, 03 de março de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
A manhã de ontem começou tumultuada no Colégio Estadual Professora Olympia Moraes Tormenta, localizado no Conjunto Semíramis Braga (Zona Norte). Os 25 professores que trabalham pela manhã se assustaram ao chegar à escola e encontrar a sala de reuniões completamente destruída, com paredes e janelas queimadas e ameaças escritas nas portas dos armários.
A reportagem da FOLHA esteve no local logo pela manhã e observou a intensidade dos estragos. Ainda havia um cheiro muito forte de queimado. Os vândalos arrombaram a porta da sala, retiraram todos os materiais dos armários, rasgaram e espalharam por toda a sala. Havia velas queimadas e todas as paredes, janelas, teto da sala e dos banheiros de uso restrito aos professores estavam totalmente escuras por conta das cinzas espalhadas dentro do local. E como se isso fosse pouco, os vândalos foram à cozinha e fizeram pipoca no microondas da escola, que depois foi destruído, assim como a geladeira.
Na porta de um dos armários, o desenho de um revólver e a mensagem ''Vaza dessa escola'' direcionava a ameaça à diretora do período da tarde. O diretor da escola, Antônio Marcos Rodrigues, disse que os responsáveis pelos estragos podem ter invadido o colégio na noite de domingo pois o alarme da escola chegou a ser acionado. ''Percebemos o que aconteceu bem cedinho, por volta das 6h30, quando o pessoal da limpeza chegou para trabalhar. Eu ainda não consegui checar com a empresa de alarme monitorado para verificar o que aconteceu. Ainda não falei com a diretora, mas infelizmente a gente não tem como saber quem foi o responsável por isso''.
Apesar do tumulto, que deixou os alunos inquietos, o diretor não cancelou as aulas. ''Não vamos dispensar os alunos. Pretendemos continuar com as aulas normalmente e vamos tentar, junto com a polícia, descobrir quem fez isso''.
A escola conta com 90 professores a atende cerca de 2 mil alunos. Ainda segundo o diretor, desde o começo do ano letivo - em 14 de fevereiro - nenhum fato relevante entre professores e alunos aconteceu que pudesse ter gerado revolta ou explicar o vandalismo.''Semana passada mesmo chegamos a nos reunir e estávamos comentando que estava tudo muito tranquilo'', comentou.
A Polícia Militar esteve no local registrando um boletim de ocorrência. ''Conversamos com alguns alunos também e alertamos sobre a importância de proteger o patrimônio da escola. Isolamos a sala, solicitamos ao diretor que vá ao 5º Distrito Policial registrar a queixa para que a Criminalística possa vir avaliar o local'', disse o soldado Pires.
Assustados, os professores perderam parte da manhã sem conseguir ministrar as aulas tanto por falta de materiais que haviam sido destruídos pelo fogo quanto pela agitação dos alunos. A professora de história Geni Dias Teixeira, que está há 20 anos da escola, disse que é comum os professores receberem ameaças e que o medo toma conta do corpo docente. ''Eles nos ameaçam simplesmente por sermos mais rígidos em sala de aula para que não ocorra desordem. Já recebi ligações de ameaça em casa, na rua e aqui dentro. Sentimos muito medo, principalmente quando temos aulas à noite. Não temos o que fazer porque precisamos trabalhar e a gente tem que levar em consideração o nosso profissionalismo'', desabafou.


