Vândalos dominam escolas nos finais de semana
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sexta-feira, 19 de agosto de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A cerca eletrificada em um muro da Escola Municipal Bento Munhoz da Rocha Neto, no Distrito de Lerroville (60 km ao sul de Londrina), que provocou a morte do adolescente Victor Hugo Ferreira Silvestre, 15 anos, no último dia 12 de agosto, causou comoção e revolta mas também despertou as atenções para um problema que vem atingido diversas escolas municipais de Londrina: o vandalismo. A Folha percorreu algumas unidades de ensino locais e descobriu que muitas delas vivem situação semelhante. Durante os finais de semana, nem os sistemas de vigilância com alarmes monitorados administrados pela empresa contratada pela Prefeitura dão conta de evitar invasões, depredações e furtos à estes estabelecimentos.
Na justificativa do diretor da escola de Lerroville, ele alegou que ordenou a construção da cerca sem no entanto ligar a fiação para eletrificá-la justamente para tentar por fim aos atos de vandalismo registrados com frequencia, principalmente durante os sábados e domingos. Somente este ano, ele já havia registrado quatro boletins de ocorrências relatando o problema. A reportagem da Folha contatou diversas escolas municipais de Londrina e identificou que muitas delas vivem situações semelhantes. Alguns diretores chegaram a afirmar que são favoráveis à instalação de cercas elétricas, porque não suportam mais retornar às aulas na segunda-feira e descobrir que a escola foi invadida por vândalos.
Na Escola Municipal Haydee Colli Monteiro, no Jardim Paraíso (Zona Norte), a diretora Suzete Maria Jorge de Mello lamentou que o ''paraíso'' fica mesmo só no nome do bairro. Uma antiga casa que era ocupada por um caseiro teve que ser demolida porque estava sendo destruída durante os finais de semana. Nem a presença constante dos funcionários da empresa de alarme inibe as invasões. Ela citou que além do vandalismo, também sofre com os furtos de material didático e até merenda. O problema é tamanho que ela nem tem mais comunicado as invasões à Secretaria Municipal de Educação. ''Acho que tem os pais precisam dar mais limites aos filhos. Não é possível que uma criança saia de casa de manhã e volte à noite e os pais não perguntem onde passou o dia'', opinou a diretora.
Na mesma região, no Residencial do Café, a diretora da Escola Municipal Sônia Parreira Debei, Cirlene Inácio Noveli, colocou trava eletrônica na entrada, alarmes, construiu muro, colocou grades em portas e janelas e nem assim consegue vencer os vândalos. Tudo por causa do campo de futebol que fica ao lado da escola. ''Temos o agravante do campo de futebol porque todo final de semana tem campeonato, vem gente de todo lugar e acabam pulando o muro e entrando'', contou. Em abril deste ano, a escola sofreu uma grande depredação durante o final de semana mas já foi visitada por ladrões dez vezes nos últimos meses. ''Sou favorável à cerca elétrica, feita com divulgação ampla junto aos pais e alunos, pois nossos muros têm mais de de 2,5 metros de altura'', afirmou a diretora, que responde por mais de 500 crianças da pré-escola à quarta-série do ensino fundamental.
No lado oposto da cidade, no Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul), a situação também não é das melhores. A diretora Laurentina Rosa Santos de Farias, contou que 10 dias após a saída do caseiro que era pago pelo município, vândalos já destruíram parte do alambrado da escola, que atende 320 alunos. Lá também ocorreram furtos de merenda, equipamentos e depredação de portas, armários e janelas. Outros, segundo a diretora, invadem o prédio para usar drogas. ''Acho que escola tem que ter vigia, porque ele impõe mais respeito'', disse Laurentina. Ela é contrária à instalação de cerca elétrica porque os adultos não entram ''mas as crianças são imprevisíveis''.


