A Prefeitura de Londrina já pode decidir o destino dos seis postos de combustíveis retomados no final do ano passado, após o término do contrato de exploração que mantinha com a Petrobras. Os espaços atualmente estão abandonados e gerando reclamações das vizinhanças dos estabelecimentos comerciais desativados.
O único documento que faltava para que a administração municipal possa definir a destinação dos espaços já está pronto. A Petrobras apresentou no início da semana o comprovante do passivo ambiental dos seis postos desativados à Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) e ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
O município requisitou os bens ao término do contrato de exploração e uso, válido por 20 anos, assinado na década de 90, depois que a estatal financiou parte da construção do Autódromo Internacional Ayrton Senna.
''O comprovante é na verdade um levantamento técnico da área. Mostra as perfurações no solo, poço de monitoramento e aponta se houve contaminação do leito subterrâneo'', explicou o chefe-regional do IAP, Andrew Pinheiro. Com a conclusão do estudo sobre o passivo ambiental, o município já estuda abrir licitação para reativação de pelo menos dois postos.
''Essa documentação é importantíssima para tomada de decisão. O estudo, além de apontar o diagnóstico da área, deve inclusive mostrar ações mitigadoras, o que o município deve fazer se aparecer um problema na área. Se não tiver anomalia, o município pode seguir com seu projeto normalmente'', frisou o secretário do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira.
Perigo
Os seis postos foram desativados no segundo semestre do ano passado. Pouco tempo depois, moradores relataram que usuários de drogas transformaram os espaços em mocós e pontos de tráfico de drogas. Duas unidades localizadas na Avenida Leste-Oeste foram demolidas, assim como o posto ao lado do Aeroporto José Richa, cuja área foi cercada. Os outros, não.
No posto do autódromo, no Parque Ouro Verde (Zona Norte), vândalos derrubaram o telhado da borracharia desativada. Na antiga conveniência houve furto da fiação elétrica e até de encanamentos - os marginais levaram embora grades dos ralos e tampas dos reservatórios de combustíveis. Comerciantes da região reclamam da insegurança. ''Fica cheio de viciado, alguns chegam a mexer com meus fregueses e espantam os clientes. Ficou um perigo'', revelou o comerciante Marcos Itakura.
No antigo posto localizado às margens da Avenida Dez de Dezembro, na Vila Brasil (Zona Sul), latas de cerveja cortadas e isqueiros indicam que usuários de drogas frequentam o local. Na antiga conveniência, a maioria das janelas foi quebrada e os vidros estão espalhados pelo local. ''À noite vira um mocó. Atrapalha, tira o sossego da gente'', reclamou o atendente Danilo Augusto de Souza, que mora em frente.
No estabelecimento da Dez de Dezembro, ao lado do Terminal Rodoviário, na Vila Casoni (Centro), há problemas semelhantes. Embora o estabelecimento tinha sido parcialmente protegido por tapumes, vândalos pularam os portões e depredaram a antiga borracharia - até pias de mármore foram quebradas.
Exploração
O edital de licitação, que deve ser aberto até abril, pode indicar a exploração por cinco anos, prorrogáveis pelo mesmo período. ''Estamos estudando a possibilidade de um período maior (do que cinco anos). É um investimento alto e tem que ter atratividade para o empresário'', disse o secretário de Gestão Pública, Fabio Reali. ''Existe a possibilidade da prefeitura usar o posto da Dez de Dezembro, na Vila Brasil, para reabastecimento da frota'', explicou.
Enquanto o edital não é aberto, a Guarda Municipal promete fazer mais rondas nos postos. ''Faremos passagens durante as rondas, inclusive à noite'', afirmou o diretor Rafael Sampaio Alves Nunes.

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