Drogas e álcool. A combinação explosiva já resultou na depredação, em apenas um mês, de 72 túmulos do Cemitério Municipal, o mais antigo de Curitiba. De acordo com o diretor de serviços especiais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Paulo Polatti, o cemitério é o alvo preferido de vândalos que invadem frequentemente o local durante a madrugada para beber e consumir entorpecentes.
Jazigos de personalidades paranaenses, que ficam nos fundos do cemitério, não foram perdoados. O túmulo do ex-governador Moisés Lupion teve uma estátua partida ao meio. O túmulo do jornalista Laertes Artidoro Moreira, considerado o pioneiro do cinema de longa-metragem no Paraná, teve vidros e vasos quebrados. Os túmulos do senador Manoel de Alencar Guimarães e dos Padres Passionistas também não escaparam dos depredadores.
Kraw PenasPrejuízoEstátuas quebradas, cruzes arrancadas, vasos destruídos: fúriaA onda de maiores prejuízos ocorreu nos dias 9 e 27 de novembro e no dia 3 de dezembro. Desconhecidos pularam a parte mais baixa do muro do cemitério, na rua Quari, e promoveram um quebra-quebra de vasos, cruzes e estátuas. Apenas dois guardas municipais fazem a segurança do cemitério, que tem cerca de 51 mil metros quadrados e 5.700 tumúlos. Segundo Polatti, as destruições dos últimos 30 dias foram as maiores registradas até hoje em um cemitério público da capital.
‘‘Consideramos que sejam atitudes de drogados, pessoas fora de sua consciência normal’’, diz Paulo Polatti. Os casos de depredação foram registrados no 3º Distrito Policial, no bairro Mercês. Polatti acredita que os responsáveis pelas três incursões ao cemitério sejam os mesmos. ‘‘O modo de ação foi muito parecido porque era uma situação de arrastão. Eles destruíam tudo o que encontravam pela frente’’, descreve.
A fúria dos responsáveis pela destruição não tinha um objetivo específico, observa Polatti. ‘‘Acredito que sejam casos isolados e que não tenham qualquer conotação religiosa ou política’’, diz. Os proprietários foram chamados para providenciar a restauração dos túmulos. Pedreiros e donos de marmoraria foram comunicados para ‘‘limitar sua margem de lucro’’ com o objetivo de ajudar as famílias que sofreram o prejuízo.
Segundo Polatti, o dano financeiro terá que ser arcado pelas famílias, já que a Prefeitura não cobra taxas de manutenção no Cemitério Municipal. ‘‘No entanto, o prejuízo será muito mais moral do que financeiro’’, lamenta o diretor.

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