Um dia após a morte do carregador Rodrigo César da Silva, 23 anos, o conjunto Novo Amparo (zona norte de Londrina) voltou a ter momentos de tensão. Duas casas foram incendiadas entre a madrugada e a manhã de ontem, o que obrigou as polícias Civil e Militar a montar guarda nas ruas da região. Anteontem, no dia do crime, houve disparos e a casa de um suspeito foi queimada.
Segundo informações do Corpo de Bombeiros, por volta das 3 horas, uma casa de madeira na rua Iraci Zuba de Oliva foi completamente destruída pelo fogo. Outro incêndio aconteceu às 9 horas, na rua Eugênio Zemuner. A casa também era de madeira. De acordo com a Polícia Civil, foram roubados da residência um microondas e uma televisão, que foi recuperada à tarde.
Ontem à tarde, peritos criminais estiveram no bairro. A casa queimada na terça-feira seria de Lailor Ribeiro, pai do menor acusado de ter matado Silva a tiros. Na residência da Eugênio Zemuner morava Eduardo Gonçalves da Cruz, detido anteontem ao volante do Tipo verde que teria sido utilizado pelos assassinos para fugir. Cruz e um irmão dele foram liberados.
A Polícia Civil investiga para apurar se os incêndios foram represálias da família ou de amigos do jovem assassinado. Ribeiro, Agnaldo Cavalcante de Jesus e Luiz Ribeiro, respectivamente genro e filho de Lailor, seguem detidos no 2º Distrito Policial (DP). ''Eles disseram que Rodrigo teria realizado um assalto na casa de Luiz, no conjunto Farid Libos (zona norte), e que ele teria exigido silêncio sobre o assunto. Isso pode ter motivado a briga'', diz o delegado do 5º Distrito Policial (DP), José Arnaldo Peron Martins, que apura o homicídio.
A história é confirmada pelo menor C.A.C., que estava ontem na casa da Eugênio Zemuner. Ele atendeu os peritos do Instituto de Criminalística e disse ser sobrinho da ''dona da casa''. ''Agora, eles (a família de Rodrigo) estão querendo vingança. Vi muita gente pelo bairro dizendo que ia queimar as casas de quem fosse ligado ao Lailor'', disse o jovem. O filho de Lailor, acusado de ter sido o autor do assassinato de Rodrigo, não foi localizado.
Ontem, alguns estabelecimentos comerciais do bairro ficaram fechados durante todo o dia. O posto de saúde funcionou apenas até o meio-dia, por recomendação da PM. A única escola do bairro, municipal, funcionou normalmente. Segundo alguns moradores, algumas pessoas se mudaram do Novo Amparo devido ao clima tenso. ''Alguns vizinhos meus foram embora, estão com medo de mais confusão'', disse uma moradora, que não quis se identificar.
Ontem, policiais da Rondas Ostensivas de Naturezas Especiais da PM (Rone) permaneceram no Novo Amparo para evitar novos atos de vandalismo. As unidades de PM de Rolândia e Cornélio Procópio enviaram duas viaturas cada para reforçar o cerco. Ontem pela manhã, outros dois incêndios foram registrados em Londrina, na vila Recreio (centro) e na vila Yara (zona leste). (Colaborou Thiago Mossini)

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