Vandalismo será punido com detenção
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quinta-feira, 15 de outubro de 1998
Dimitri do Valle 
Pichações e depredações do patrimônio público poderão ser punidos com prisão preventiva e prestação de serviços comunitários. A tese foi defendida ontem em reunião da Comissão para a Prevenção e Combate ao Vandalismo (CPCV), na tentativa de coibir o avanço dos delitos em Curitiba. A meta é criar um sentimento novo na população em relação à grafitagem e aos danos a ônibus e estações-tubo: a de que os prejuízos não ficarão impunes.
O mutirão proposto pela comissão sugere que um delegado de polícia seja designado para identificar os grupos organizados que praticam os atos de vandalismo. Os moradores dos bairros também serão incentivados a ajudar. Os integrantes da CPCV sugerem que a Secretaria da Segurança Pública crie um serviço telefônico para centralizar os casos. Queremos promover o desaparecimento do conceito de impunidade e vandalismo, disse o presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador Henrique Lenz César, que integra a CPCV. Depois que as sugestões estiverem em prática na capital, Lenz César assinala que a finalidade é uniformizar a aplicação das penas no interior.
A comissão se reuniu pela terceira vez na tarde de ontem no TJ e definiu uma carta com as propostas para apertar o cerco aos vândalos. O próximo encontro vai tratar da responsabilidade das torcidas organizadas no número de danos ao patrimônio público. A CPCV estudará também a forma como as penalidades apresentadas ontem serão aplicadas. No caso dos menores de 18 anos, a pena será revertida em prestação de serviços públicos, como pintura de muros pichados, por exemplo.
Para o superintendente da Secretaria Municipal de Administração, Rubens Bittencourt Souto, a prisão preventiva será uma pena para situações extremas. Ele confia nas penas alternativas. O trabalho já é feito através do programa Justiça e Cidadania desenvolvido pela Prefeitura, disse. Seis acusados de vandalismo se apresentam mensalmente nas secretarias para auxiliar na manutenção de veículos e edifícios da municipalidade através de convênio firmado com o Ministério Público.
A delegada titular da Delegacia do Adolescente, Charis Negrão Tonhozi, diz que 10 menores são encaminhados por mês ao distrito policial por causa de envolvimento com vandalismo. É questão de exercício da adrenalina, de fazer o que é proibido e ter a falsa impressão de impunidade, afirma a delegada ao fazer uma leitura do comportamento de adolescentes infratores.


