Vandalismo prejudica 6 mil pessoas
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
Seis mil pessoas estão sem abastecimento de água desde segunda-feira nos bairros União da Vitória, São Lourenço e Perobal (Zona Sul de Londrina). O abastecimento foi interrompido depois que o poço artesiano que ajuda no fornecimento de água dessa região foi alvo de vândalos na madrugada de segunda-feira. ''Noventa por cento das ações que acontecem nos poços são de vandalismo'', sentencia o gerente metropolitano da Sanepar, Sérgio Bahls. Essa é a 12 vez que o local é atacado.
De acordo com Bahls, as ações estão cada vez mais audaciosas. Na última vez, o muro que protege o poço artesiano foi furado e uma parede da casa onde a água é tratada com flúor e cloro foi derrubada. O sistema hidráulico foi destruído e sacos de cimento que estavam no local foram jogados dentro do reservatório onde a água é tratada. Havia um guarda, mas ele abandonou o locla porque as pessoas teriam chegado atirando. A Sanepar retira 35 mil litros de água por hora dessa fonte de água.
''Não tenho água nem para beber. Pedi na vizinha, mas a vizinha não tem nem para ela'', lamentou ontem à tarde a dona de casa Míriam da Silva, moradora do Jardim União da Vitória 1. Preocupada, ela não sabia o que fazer pois tudo que restava era uma jarra de água. '' Moramos em seis pessoas, de onde vou tirar água sem ter caixa?'', questiona.
Márcia Nogueira, outra moradora do bairro, recorreu ao irmão que possui caixa de água. ''A roupa suja está empilhada no canto e tem louça suja. Vou ter que ir no meu irmão outra vez se a água não voltar'', afirma. A dona de casa Antônia Soares da Mota esperou inutilmente a água voltar durante todo o dia de ontem. ''Está difícil de passar com esse calor e sem ter água'', avalia.
O poço da Zona Sul começou a funcionar em novembro de 2003. O prejuízo da Sanepar com os reparos nas 12 vezes que o local foi danificado chegam a R$ 50 mil. Dessa vez, serão gastos R$ 8 mil. De acordo com Bahls, o abastecimento deverá ser normalizado hoje.
Segundo o gerente da Sanepar, a empresa possui oito poços artesianos responsáveis por 6% da água consumida em Londrina e Cambé. Entretanto o poço da Zona Sul é o único que sofre com as depredações. Segundo ele, a Sanepar vai realizar uma reunião com a comunidade próxima da região para solicitar que as pessoas denunciem o vandalismo. A reunião deverá ocorrer ainda neste mês.
Próximo ao depredado fica outro poço, com capacidade três vezes maior que o atual. O poço já foi perfurado, mas devido aos problemas constantes no local a Sanepar está estudando retirar a água do local e tratá-la em outro ponto. Bahls comentou ainda que com a construção do reservatório Ouro Branco os problemas com a falta de água naquela região poderão ser evitados. Segundo ele, a obra irá ocorrer neste ano. Os recursos de R$ 1,5 milhão são da Caixa Econcômica Federal e já foram liberados. A capacidade do reservatório é de cinco milhões de litros.


