Um ato de vandalismo pode ter sido o motivo do acidente que causou a explosão de um trem, na madrugada do último sábado, em Ponta Grossa. A afirmação é do diretor administrativo da Ferrovia Sul Atlântico, Pedro Roberto Almeida, que também não descartou as hipóteses de falha mecânica e problemas nos trilhos.
O resultado da perícia, que deve apontar a causa do acidente, deve sair dentro de dez dias. A Sul Atlântico montou uma comissão especial, que abriu inquérito interno com o objetivo de apurar não somente a causa como também os prejuízos causados pelo acidente.
O trecho da ferrovia onde aconteceu o acidente ficou interditado por 34 horas. Da madrugada de sábado até a manhã de ontem, quando o estrada foi liberada, as locomotivas que precisavam passar por Ponta Grossa, em direção ao porto de Paranaguá, foram obrigadas a utilizar um desvio, por Ourinhos (SP), aumentando em 150 quilômetros a viagem, com dez horas a mais.
Segundo Roberto Almeida, tudo o que foi destruído está segurado. O diretor da Sul Atlântico não soube precisar o valor dos prejuízos, mas garantiu que os vagões, a estrada e toda a carga perdida está no seguro. Ele acredita que foram consumidos pelo fogo mais de 300 mil litros de álcool.
Ao contrário do que havia sido divulgado anteriormente, o maquinista do trem, Sérgio Luiz Puchta, não abandonou o local do acidente. A Sul Atlântico informou que ele ainda ‘‘cortou’’ a ligação entre as duas locomotivas que puxavam a composição, evitando assim maiores prejuízos.
De acordo com Almeida, o trecho onde ocorreu o descarrilamento é um dos mais bem conservados de todos os ramais administrados pela Sul Atlântico. ‘‘Acidentes acontecem em todo lugar’’, disse, lembrando que o índice de acidentes nas ferrovias do Paraná é considerado muito baixo. O último acidente de grandes proporções aconteceu no início deste ano, quando um trem descarrilou no município de Ipiranga, a 50 quilômetros de Ponta Grossa.
Rebatendo qualquer sugestão de que os acidentes acontecem por falta de investimento na manutenção das ferrovias, Roberto Almeida disse que, em pouco mais de um ano, a Sul Atlântico já injetou R$ 80 milhões nos trechos sob sua responsabilidade. A empresa também está preparada para colocar mais R$ 30 milhões, que segundo Almeida, serão investidos basicamente na manutenção das vias.

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